sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Papua Nova Guiné: política no paraíso


Papua Nova Guiné, país localizado no extremo oeste da Oceania, não tem tradição nenhuma no futebol, sequer em âmbito continental – o que causa estranheza, já que é muito maior que os outros países da Oceania (exceto a Nova Zelândia). No entanto, suas estatísticas não são das piores, levando em conta que o selecionado quase nunca joga: chegou a vencer países que já estiveram em Copas do Mundo, como Nova Zelândia e Indonésia.

Quando não são os graves problemas políticos do país (a província de Bougainville luta para se separar desde os anos 70, o que provocou muitos atentados terroristas até 2000, quando o governo central reconheceu a região como autônoma semi-independente) que impedem a seleção de jogar, são brigas entre dirigentes que atrapalham as Aves do Paraíso.


Em 2007, por exemplo, o único jogo da seleção foi um amistoso contra as Ilhas Salomão, em 13 de julho, derrota por 2 a 1. Antes disso, o último jogo oficial havia acontecido em maio de 2004, na vitória por 4 a 1 contra Samoa, pelas eliminatórias para a Copa de 2006.


Agora, mais uma briga entre dirigentes alijou o time papuásio de um torneio importante. Como o presidente da Federação Nacional de Futebol e o presidente do Comitê Olímpico são politicamente inimigos, Papua não disputou a edição 2007 dos Jogos do Pacífico Sul, que foi a fase preliminar das eliminatórias da Oceania para a Copa de 2010.


Brasileiro comandava as Aves do Paraíso

A briga política fez com que o técnico de Papua, o brasileiro Marcos Gusmão, abandonasse o cargo. Ele desenvolvia um trabalho de estruturação de um futebol que só tem um campeonato semiprofissional organizado desde o ano passado, a Papua New Guinea National Soccer League (conhecida como PNGNSL). Basicamente, o futebol no país é organizado em inúmeros torneios regionalizados que levam a uma competição de âmbito nacional, como era no Brasil até a década de 80.

As ligas regionais são Highlands Region, Port Moresby, Lae, Lahi, Goroka, Mount Hagen, Wau, Wabag, Kimbe, Madang, Manus e East New Britain. O campeão do torneio que vem dessas ligas disputa o Overall Championship com o campeão da PNGNSL. Em 2006, o Overall Championship foi disputado entre University Port Moresby e PRK Souths United (que mudou o nome para Hekari United no começo de 2007), com vitória do Unviversity, o maior campeão nacional, mas que se mantém amador.


Com uma das mais ricas culturas de todo o mundo, Papua Nova Guiné, na Oceania, é um microcosmo do planeta Terra, em todos os sentidos. O país tem um ecossistema variadíssimo, devido à existência de ilhas vulcânicas, de extensas planícies, de florestas equatoriais, de atóis e de grandes cordilheiras (o ponto mais alto da Oceania, o Mount Wilhelm, com 4500 metros, fica em Papua).

Além disso, é grande a variedade étnica: são mais de 850 idiomas diferentes em menos de 6 milhões de habitantes. Isso talvez explique a dificuldade que se tem de juntar uma seleção para disputar torneios e mesmo fazer um torneio nacional de maior espectro. Geograficamente, é muito complicado movimentar-se pelo país, que tem uma rede viária paupérrima longe de Port Moresby, a capital.

Impulso para o futuro?


Apesar da seleção nacional jogar pouco, o futebol interno é muito movimentado. Com o já citado surgimento da PNGNSL, o esporte – que existe no país desde fins do século 19, quando alemães luteranos organizaram, nas minas de ouro da cidade de Wau, o primeiro torneio que se tem notícia na Papua Nova Guiné – pode ganhar um impulso em direção a vitórias futuras. A liga tem maior importância por ser reconhecida pela OFC, a Confederação de Futebol da Oceania, o que significa que os times locais irão disputar torneios continentais com mais freqüência, o que pode aumentar o intercâmbio.

Poucos jogadores podem ser considerados atletas de destaque no futebol papuo. O técnico alemão Jochen Figg chegou ao país na década de 80 para trazer desenvolvimento e organização, mas fracassou, sempre por problemas políticos: sua filha foi seqüestrada por rebeldes de Bougainville e depois dela libertada, a família foi embora de Papua.

Reginald Davani e Nathaniel Lepani são bons jogadores da seleção, tanto que os dois atuam na Nova Zelândia (Auckland City) e Austrália (Brisbane City) , respectivamente, o que para efeitos de Oceania, é um grande feito. Davani é o maior artilheiro das Aves do Paraíso, mesmo com apenas 22 anos, e é filho de John Davani, técnico do University Port Moresby e um dos mais vitoriosos treinadores de Papua Nova Guiné. Ele já dirigiu a seleção e é o favorito para suceder o brasileiro Gusmão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bindi, comprei seu livro ontem. Ainda não comecei a ler, mas pela espiada que dei com certeza é ótimo. Principalmente para ler de vez em quando, tamanho número de curiosidades. Parabéns. Sobre esse post... Sou, atualmente, o responsável pela coluna sobre o futebol da Oceania no site da Trivela. Espero contar com vc sobre curiosidades sobre lá, porque apesar de ter morado lá, estou longe de ser um conhecedor. Pelo menos por enquanto. Um abraço...

Marcelo Silva disse...

Sou o mesmo que comentou o post anterior. Esqueci de deixar meu nome e o endereço no meu futuro blog.