domingo, 20 de julho de 2008

Entrada Arquibancada Sul do Serra Dourada

O amigo Raul Dias foi assistir ao jogo Goiás 3 x 2 no Serra Dourada e enviou a seguinte foto da Entrada Sul do estádio (atenção às traduções abaixo do nome).

Atenção: se você for kibar essa imagem, dê os créditos ao autor, o fotógrafo Raul Dias.

Agradeço a lisura.


segunda-feira, 30 de junho de 2008

Seleção da Euro 2008, a Assassina de Clichês

A absoluta falta de tempo (rádio e outros projetos) me fez ver todos os jogos da Euro em VT. Por isso, tive uma visão diferente do jogo, mais fria. Isso alterou um pouco a forma que analisei o torneio e os jogadores. Dessa forma, minha seleção pode ser um tanto diferente da maioria, como conversei hoje com Leonardo Bertozzi e Luciana Zambuzi, caríssimos amigos da Trivela.

Casillas (Espanha)
-
Ćorluka (Croácia)
Sabri (Turquia)
Chiellini (Itália)
Zhirkov (Rússia)
-
Xavi (Espanha)
Marcos Senna (Espanha)
-
Fábregas (Espanha)
Arshavin (Rússia)
Sneijder (Holanda)
-
Villa (Espanha)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Euricão acabou! Viva o Vasco da Gama!

Um dos grandes momentos do futebol brasileiro nesse século 21 está próximo. Eurico Miranda deixará o Vasco!

Certamente, depois da oposição assumir, encontrará teias de aranha nos cofres vascaínos. Por isso, aos torcedores do Vasco, é necessário ter a devida paciência e a devida confiança a quem chegar.

Depois de administrações desastrosas e corruptas, é natural que os 5, 10, 15 anos seguintes sejam de imensa penúria. Foi assim (ou ainda é) com Palmeiras, Grêmio, Botafogo, Atlético Mineiro. Será assim com Santos e Corinthians.

E será assim com o Vasco.

Nada de imediatismos, nada de cobranças. Nada de sentir saudades do tumor retirado. O Vasco saiu do porão, mas o tempo de recuperação será longo. Que a torcida e a imprensa tenham paciência.

Só de não ter mais Eurico Miranda faz do Vasco o que ele sempre foi: um gigante.

Paciência. O pós-operatório é mais complicado que a cirurgia.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Estrangeiros na Euro-2008

Nessa semana, saiu a lista de todos os convocados para a Euro-2008, que começa dia 7 de junho. Entre tods as seleções, apenas Holanda e Romênia não possuem estrangeiros naturalizados (e mesmo assim, a Holanda têm vários nascidos na Holanda, mas filhos de pais estrangeiros, especialmente surinameses e antilhanos). Se é um dado preocupante ou apenas curioso, vai uma longa discussão. Mas é algo a ser seriamente observado.

Abaixo, a lista dos "estrangeiros".

Alemanha


Neuville

Suíça

Klose

Polônia

Trochowski

Polônia

Podolski

Polônia

Kuranyi

Brasil



ÁUSTRIA


Vastic

Croácia

Gërçaliu

Albânia

Garics

Hungria

Harnik

Alemanha



CROÁCIA


Robert Kovač

Alemanha



ESPANHA


Marcos Senna

Brasil



FRANÇA


Mandanda

República Democrática do Congo

Boumsong

Camarões

Vieira

Senegal

Makelele

República Democrática do Congo

Malouda

Guiana Francesa

Evra

Senegal

Thuram

Guadalupe



GRÉCIA


Vintra

República Tcheca



ITÁLIA


Camoranesi

Argentina

Perrota

Inglaterra


POLÔNIA


Roger Guerreiro

Brasil



PORTUGAL


Bosingwa

República Democrática do Congo

Petit

França

Pepe

Brasil

Nani

Cabo Verde

Deco

Brasil



REPÚBLICA TCHECA


Jankulovski

Macedônia



RÚSSIA


Semak

Ucrânia



SUÉCIA


Linderoth

França



SUÍÇA


Djourou

Costa do Marfim

Gelson Fernandes

Cabo Verde

Behrami

Kosovo

Jakupović

Bósnia Herzegovina

Vonlanthen

Colômbia



TURQUIA


Balta

Alemanha

Mehmet Aurélio

Brasil

Kazım

Inglaterra

Erdinç

França

Altıntop

Alemanha




quarta-feira, 28 de maio de 2008

Alguns Esclarecimentos

  1. Ando com excesso de trabalho. Por isso, tenho aparecido tão pouco aqui. Mas continuo na Rádio 105 FM, na Trivela, no site do Milton Neves, no Beting & Beting e no Jornal do Grande ABCD e em outros lugares.
  2. O delegado Mauro Marcelo, da delegacia que está atuando no "Caso do Gás" (que envolve São Paulo e Palmeiras) é palmeirense, mas pediu afastamento do caso por essa razão. Qualquer outra afirmativa é desinformação ou má-intenção.
  3. As cenas do juiz Evandro Rogério Roman em jogo do Campeonato Paranaense são montadas por investigados por corrupção na arbitragem que foram acusados por ele.
  4. A pesquisa Gallup das torcidas divulgada hoje simplesmente não existe.
  5. Roberto Avallone não está tratando da saúde. É âncora de um programa da Rádio Capital.
PS Atualizado posteriormente
As imagens de Roman são montadas de forma a parecerem mais graves do que foram, mas não são falsas.

domingo, 4 de maio de 2008

Una Furtiva Lacrima

De repente, depois de muito tempo de luta, fui convidado para ser comentarista de rádio, um sonho de infância. Quando recebi a escala do meu jogo de estréia, era Palmeiras x Náutico. Todos me falaram: "se segura, hein", "não vai bajular o Palmeiras", "não critica muito pra parecer imparcial", enfim. Eram muitos os alertas.

Quando entrei no Palestra Itália por alamedas em respirei quase 30 anos da minha vida, me senti em casa. Lembranças da minha avó Wally, do meu tio Hernâni, dos meus pais. Nesse estádio, vi vitórias gloriosas como a Libertadores de 99 e o Paulista de 96. Vi tragédias italianas, como a derrota para o XV de Jaú em 85 e para o Vasco na Mercosul.

Subi os 4 andares até a cabine da rádio a pé. Entrei, coloquei os fones. E esqueci para que time eu torci um dia. E assim tem sido, de uma forma deliciosamente fácil. Já fiz vários jogos do Palmeiras e tratei o time de Palestra Itália da mesma forma que tratei os outros times. Nem mais, nem menos.

Hoje, fiz Palmeiras 5 x 0 Ponte Preta, minha primeira final. Não senti simplesmente nada, como torcedor. Nada. Estive tranqüilo durante toda a partida. Felizmente, para mim, sou mais jornalista que palmeirense. Amo mais o futebol que o Palmeiras. Como diz meu mestre e amigo (não necessariamente nessa ordem) Mauro Beting, sou um palmeirense jornalista, não um jornalista palmeirense.

De repente, lá pelo fim do jogo, o técnico Wanderley Luxemburgo chama o goleiro Diego Cavalieri, reserva de Marcos. E substitui aquele que considero o melhor goleiro do Brasil em atividade por aquele que considero o futuro melhor goleiro do Brasil.

Quando vi Marcão saindo de campo, em respeito aos ouvintes, afastei o fone do ouvido.

E chorei.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sobre o América-MG na Série C

Antes que alguém fale, o América-MG está na Série C, mas isso não é fruto exatamente de virada-de-mesa.

É fruto de um regulamento imbecil, mal escrito. E fruto de uma pilantragem, que achou buracos em um regulamento estúpido e se aproveitou porcamente disso.

Escreve Bruno Orsini, lúcido e atuante torcedor do Coelho:

Não soa certo? Pode falar, foi a maior sujeira que eu já vi o América fazer até hoje.

Na época que a idéia de reivindicar essa vaga estava sendo discutida, eu coloquei minha opinião na mesa, quase cortaram minha cabeça. Na comunidade orkutiana do América só uns quatro ou cinco concordaram comigo.

O regulamento tem brechas que permitiram ao América conseguir essa vaga pelo terceiro lugar da Taça MG, só precisava de uma forcinha política, isso nós conseguimos com Aécio, Azeredo, Alencar, entre outros.

Eu não estou com o pé atrás, é bom deixar claro que pelo regulamento o América tem razão em reivindicar a vaga.

Só que o América só entrou porque o regulamento é mal feito, mal formulado, cheio de emendas, péssimo e injusto.

A 1ª vaga para a série C é para o time de melhor campanha no estadual, excluindo Atlético Mineiro, Cruzeiro e Ipatinga. Vaga para o Tupi.

A 2ª vaga é para o time de segunda melhor campanha no estadual seguindo esses quesitos. Ituiutaba.

A 3ª é para o campeão da Taça MG. Tupi.

O que os advogados do América alegaram está correto segundo o regulamento. Lá está previsto que um time tem que sair da Taça MG. O Tupi foi campeão, mas a primeira vaga é no estadual. Ituiutaba foi vice, mas também já tem a vaga do estadual. Então é o América, que ficou em terceiro, como o clube indicado pela seletiva.

A vaga que o Tupi conseguiu pelo estadual, anulou a sua vaga pela Taça MG porque a vaga no estadual é a primeira. Ituiutaba idem.

A grande sorte do América, além desse regulamento bobo, foi que justamente Tupi e Ituiutaba que ficaram na frente na Taça MG, foram os que conseguiram a vaga pelo estadual.

Lembrando, isso está no regulamento. Então, segundo o regulamento, o América está correto.

Só que o regulamento é ridículo.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Tenebrosa noite palmeirense. Gloriosa noite do Leão da Ilha.

Em 1998, Adriane Galisteu, disse que sua vida dera "uma guinada de 360 graus" ao conhecer o publicitário Roberto Justus. O erro geométrico da apresentadora/atriz/modelo/famosa profissional foi explorado ao máximo, já que se algo dá uma volta de 360 graus, volta para onde estava.

Contra o rubro-negro Sport, o Palmeiras deu uma volta de 360 graus em direção à mais sombria noite do time de Palestra Itália: o dia 23 de abril de 2003, quando o rubro-negro Vitória, em São Paulo, esmagou o alviverde por tenebrosos 7 a 2, com direito a frango histórico de Marcos.

Um time entregue. Sem reação. Que parecia não estar em campo. Um grupo formado apenas por invólucros de corpos, sem alma, sem coração, sem cérebro. Sem vontade. Sem tudo. Com nada. Nem a selvageria de torcedores que jogaram bombas caseiras no ônibus palmeirense é desculpa.

O Sport Recife, bem montado por Nelsinho, já que a ausência forçada de Sandro Goiano foi benéfica, pois Kássio é muito bom jogador e acabou por ditar o ritmo do time pernambucano, começou em cima do Palmeiras, especialmente atacando pelas laterais, organizado no meio com Romerito (que o amigo e cineasta Maurício Targino alcunhou de "Romedane", unindo exageradamente Romerito e Zidane) e com Carlinhos Bala se movimentando muito e confundindo a zaga palmeirense.

A zaga. Romerito fez os três primeiros gols. Bola na área. Romerito, de cabeça. Praticamente iguais. E a zaga corria para cá, corria para lá. E não se achava.

Mesmo com a justa expulsão de Everton, aos 5 minutos do segundo tempo, o time de Recife continuava a mandar no jogo. No quarto gol, quem marcava pelo meio da zaga era Valdívia. O quatro-a-um foi pouco. Podia ter sido cinco, seis, sete-a-um.

O Sport marcava com competência um time que nem sequer dava trabalho, mostrando uma preocupante fraqueza para um time que vai, no domingo disputar uma final de campeonato.

Aliás...

Sport e Ponte têm times parecidos. Bons goleiros, laterais que sobem bastante, uma zaga correta, volantes fortes, pesados e pouco hábeis, um meia criativo, um atacante que se mexe bastante e outro mais enfiado.

Se o Palmeiras estiver entregue também no domingo, outra volta de 360 graus será dada. Até o dia 3 de setembro de 1986. Pesquisem.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

De onde veio Rogério Ceni, por Menon

Existe um jornalista íntegro e honesto chamado Luís Augusto Símon. Os amigos (e os nem tanto) o chamam de Menon. Discordo de quase todas as suas idéias políticas e muitas das esportivas. Mas o cara é um poço de humanidade e decência. E tem um texto sensacional.

Escreveu abaixo sobre Rogério Ceni em seu blogue.

Eu concordo com tudo.

* * *

EU NÃO ENTENDO a relação de fã-ídolo que jornalistas e até jogadores adversários têm com Rogério Ceni.

Parece que ele é um enviado de Deus para fazer do futebol algo mais qualificado. Ele não é tratado como um jogador e sim como alguém superior.

Ah se fosse o Edmundo a dar um tapa na cara do Valdívia. Sim, porque foi um tapa, um tapa fraco, mas um tapa. A cena correria o mundo, ele seria ameçado de muitas coisas. O banimento do futebol seria o menor. E os jogadores do Palmeiras ficaram quietinhos, conversaram com ele e nada mais. Talvez a situação do jogo (já resolvido) explque tamanha letargia, mas acho mesmo é que os jogadores têm um certo COMPLEXO DE INFERIORIDADE INTELECTUAL em relação à Ceni. Ele fala bem, sabe se expressar, diz obviedades com seriedade, então é diferente de nós. Pode até dar o tapinha que não dói.

Se os jogadores têm um complexo de inferioridade, os jornalistas vêm em Ceni um IGUAL. Jornalista detesta ganhar menos do que jogador. Afinal, jogado não tem a habilidade da escrita e nem facilidade em conjugar verbos. Os que sabem, como Caio, Ceni e outros são DIFERENCIADOS. Então, deles tudo se pode aceitar.

Ninguém questiona Ceni sobre nada. Ninguém pergunta se o frango contra o Palmeiras foi pior do que o frango contra o Inter na Libertadores de 2006. Não precisa falar frango, pode usar outro termo, pode disfarçar, mas a pergunta precisa ser feita. Não perguntarm a Ceni porque ele deu um tapa em Valdivia. Perguntaram o que Valdivia falou para ele. "De Valdivia, não falo. Não vai me acrescentar nada", respondeu o goleiro tricolor. E nada mais lhe foi perguntado.

Um dia, questionei os seus números de gols marcados. "Escreva o que quiser", respondeu. E eu deixei a sala de entrevista. Sou repórter e ele é jogador. É tão simples isso. Parece que muitos não entendem.

Estádio Luzhniki, o palco da final

Com a definição dos ingleses Manchester United e Chelsea como finalistas da UEFA Champions League, é importante conhecer o Estádio Luzhniki, em Moscou, que receberá os dois times.

O estádio, cujo nome completo é Grand Sports Arena of the Luzhniki Olympic Complex (Большая спортивная арена Олимпийского комплекса Лужники), com capacidade aproximada de 85 mil pessoas, fica no Complexo Olímpico de Luzhniki, bairro situado na zona sudeste de Moscou, no distrito de Khamovniki. Idealizado pelos arquitetos Rogozhin, Ullas, Khryakov e Vlasov, construído pelos engenheiros Nasonov, Reznikov e Polikarpov e inaugurado em 1956 dentro da megalomania esportiva do governo soviético, o Complexo era chamado de Central Lenin Stadium e reúne equipamentos para futebol, ginástica, vôlei, basquete, artes marciais, natação, tênis, hóquei e até esqui.

Um dos poucos estádios de ponta na Europa que usa grama artificial -mas usará piso natural no jogo da UCL, o Luzhniki (nome que vem da palavra russa "luga", que significa "várzea alagada", já que a região fica às margens do rio Moscou) é usado mais pelo proprietário, o Torpedo Moscou, atualmente na segunda divisão russa e pelo Spartak Moscou, time mais vitorioso e popular do país.

Aliás, foi em um jogo do Spartak pela Copa da Uefa contra o holandês Haarlem em 1982, que aconteceu uma tragédia na história do estádio Luzhniki. Na época, era proibida a presença de menores de 16 anos em estádios de futebol, a polícia impediu a entrada de muitos torcedores, que, revoltados, forçaram as catracas. Isso redundou num grande conflito, que oficialmente, matou 66 pessoas pisoteadas e esmagadas contra os portões, segundo fontes oficiais. No entanto, há quem afirme que mais de 350 pessoas morreram na trágica ocasião: o ex-tenista Andrei Chesnokov e o antigo dirigente do Spartak Leonid Romanov, que na época tinham dezessete anos e estavam presentes ao estádio dizem que um evento daqueles não poderia ter produzido menos de 200 mortos.

Graças à intervenção do técnico da seleção russa, Guus Hiddink, um jogo entre veteranos do Spartak e do Haarlem teve sua renda revertida às famílias dos mortos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sobre Ronaldo

Ninguém tem nada a ver com a vida pessoal do Ronaldo. Só ele e sua família.

Ninguém tem o direito de fazer chacota dele ou dos travestis que ele contratou.

Fim de papo.


domingo, 27 de abril de 2008

Histórico e Obtuso



Estudiantes e Palmeiras se enfrentaram em 2005, mas no Brasil, ninguém ficou sabendo. Procuramos os motivos para o silêncio que esconde uma grande história alviverde


Por Gabriel Brito e Leandro Iamin

6 de agosto de 2005.

No Estádio Jorge Luis Hirsch, em La Plata, um volumoso e entusiasmado público comemora a marcação de um penalty a favor do Estudiantes. Pode ser o empate de uma partida quente, até então com um gol solitário no primeiro tempo. Na linha de fundo, Deola, goleiro do oponente, o Palmeiras, está acuado na frente de uma arquibancada irresponsavelmente próxima ao campo, e diante de Carrusca, com a camisa 10 e pronto para a cobrança na seca e fria noite platense.


O clube brasileiro dirigido por Wilson Macarrão está sob xeque-mate, e, com um grupo jovem, estrelado por atletas como Francis e Thiago Gomes, pode não conseguir reagir a tal revés. Estamos no segundo tempo e buscar um desempate pode ser demasiado perigoso.


Carrusca bate, balança as redes, jogo empatado. Por um segundo. O árbitro Horácio Elizondo apita invasão de campo, sem dar ouvido aos protestos. Ele foi rigoroso. Rigorosidade que só se pede aos árbitros nos grandes jogos. Carrusca de novo. Deola solitário e espremido entre energias rojiblancas. Agora vai.

Carrusca cobra, Deola acerta o canto e defende, e o Palmeiras consegue manter-se na dianteira, num 1x0 bastante truncado, e, de certo, heróico, posto que o clube argentino se aprontava para iniciar o Campeonato Argentino Apertura, no qual foi muito bem, inclusive com rescaldos de sucesso na Libertadores do ano seguinte, quando, mantendo a base, foi eliminado pelo São Paulo, no drama lotérico dos penaltys.


Deola, quando defendeu a penalidade de Carrusca, cumpriu, ainda que sem tal pretensão, uma significativa missão a favor do alviverde, a de, com algum atraso e tomada as devidas proporções, aplicar a revanche pela Final da Libertadores de 1968, feita entre os dois, mas vencida pelo time de Mar del Plata, com Verón e Fucceneco superando os insuperáveis Ademir da Guia e Dudu, numa finalíssima disputada em Montevidéu.


Mas alí não era Libertadores. Nem Sul-americana, nem Mercosul, nem Conmebol. Era uma data festiva, onde o Estudiantes, comemorando seu centenário, convidou as camisas verdes do país vizinho para um flashback, chamou um dos seus maiores adversários na vida para apagar sua centenária vela em grande estilo: testanto a própria força, se propondo a competir em alto nível mesmo quando o dia podia ser de festa diante de um adversário meramente figurante.


É como uma partida de "entregas de faixas". Não se pode perder, pois que senão, fica aquela manchinha, aquele incômodo, o chopp fica aguado, a valsa toca fora de tom, a sinfonia parece ficar inacabada. Por isso, a atmosfera era eruptiva. Um jogo insubstituível, e com momentos de violência, posto que houve uma troca de empurrões em alta altura da cronometragem, e 3 jogadores expulsos. Deu Palmeiras, para satisfação dos garotos e um discreto deleite de diretores de velha-guarda. Los Pinchas, derrotados, foram ainda assim ovacionados pelo público, e com justiça, pois foram honestos ao escolher um clube grande para medir forças em campo, e fidalgos ao tratarem os brasileiros com o máximo de atenção e respeito, do lado de fora do gramado.



Gol do Palmeiras?


No dia seguinte ao jogo, passeando por Buenos Aires logo após o desembarque no país, Gabriel Brito olha uma TV numa lanchonete, e, curioso, observa os lances. Não adianta a paisagem de um país novo: se há uma TV com futebol, é para lá que os olhos juvenis se viram. De pé, Gabriel assiste a Bruninho, lateral direito, tramar jogada pelo meio e passar para Francis, que chuta com violência a gol, contando com um desvio na zaga que encobre o goleiro e termina em gol. Gol do... Palmeiras? A legenda intrigou: "Estudiantes 0x1 Palmeiras". Um dia antes ele estava no Brasil, e podia jurar que o Palmeiras não tinha ido para a Argentina coisa nenhuma. Muito menos em Agosto, no meio do Brasileirão. Rápida apuração, e era aquilo mesmo. Tratava-se do Palmeiras, só faltava entender em quais condições.


Em São Paulo, os jornais se dedicaram a falar sobre o choque-rei da noite. Leandro Iamin devora um dos diários, para ler tudo sobre o Palmeiras e São Paulo de logo mais. O tricolor campeão da Libertadores, na crista da onda, com Amoroso e Lugano, e o Palmeiras analisado com ceticismo, apostando em Gioino e Marcinho. Nos sites e programas de TV, um bom destaque é dado para Emerson Leão, que era técnico do São Paulo, saiu pelos fundos e agora treinava o Verdão.


Naquele dia, no anterior e no posterior, o máximo que alguém conseguiu ver nos periódicos nacionais foi uma ou outra nota, sem foto ou manchete, informando secamente que o Palmeiras-B foi à argentina para participar do Centenário do Estudiantes. Nada pautado com pompa, apenas um jogo, nada mais.


Mas... Palmeiras-B? Os argentinos sabiam disso? “Palmeiras llegó a La Plata con mayoría de juveniles”, afirmou o Diário Hoy, de La Plata. Por lá, a derrota foi para o bom e velho Palmeiras, ainda que com tal ressalva, e Gabriel Brito testemunhou pessoalmente. Já em São Paulo, falou-se todo o possível a respeito de um saboroso 3x3 entre o Verdão e seu eterno inimigo, quando estes venciam por 3x0, e cederam o empate no fim do jogo, num golaço improvável de Warley. Palmeiras-B na Argentina? Por aqui, foi como se o time juvenil tivesse visitado o Qatar em busca de amistosos insossos: passou batido.


Cadê o jogo no jornal?


Na vida de um grande garoto passam muitos trabalhos, muitos amigos, muitas namoradas, pretendentes, experiências, e nem sempre dá tempo de dar a atenção justa a todas estas coisas. Na vida de um grande clube senhor, o mesmo acontece. E o que a imprensa noticia é uma espécie de reflexo disso. Para o factual imediato que alimenta e nina o jornal diário, realmente não parece razoável ir à Argentina ver um amistoso, quando se tem um grande clássico do lado da redação. Ainda assim, tratou-se de um encontro com a história, que o Palmeiras, com "B" ou sem "B", teve a chance de ter. E isso não é pouco. Não nos encontramos com nossa própria história assim tão facilmente.


As últimas grandes matérias feitas por brasileiros em solo argentino foram 3 meses antes desse jogo, e por motivo bem menos nobre do que o flashback do centenário: Leandro Desábato, zagueiro do Quilmes que hoje, por sinal, defende o Estudiantes, estava numa grande encrenca por conta de um lamentável episódio envolvendo racismo e o jogador Grafite, então no São Paulo.


Um caso que foi grave, mas, sobretudo, só se tornou tão mais sensacional porque foi alvo de uma cobertura demasiadamente carregada de adjetivos e exclamações por parte dos brasileiros. Não precisava colocar tantas questões filosóficas, políticas e sociais naquele caso. E pudemos pensar que esse processo de um fato se tornar obscuro ou vir à tona com força e categoria, passa por um caminho um pouco lotérico, um tanto imponderável.


Como se fossem penaltys a se cobrar, e a se defender.


Pesquisando na mídia argentina, encontramos relatos que reforçam as experiências in loco que Gabriel Brito tinha na memória. Assim escreveu o Clarín.


Alrededor de 20.000 personas colmaron el estadio de 1 y 57 para darle colorido y emoción al festejo de los cien años de Estudiantes de La Plata. La ceremonia incluyó premios para varias glorias del club y un partido amistoso (que de amistoso sólo tuvo el nombre) ante el Palmeiras de Brasil.


El partido se jugó tan en serio que Horacio Elizondo, quien dirigió el encuentro, debió expulsar a tres jugadores (Pavone (E), Ortiz (E) y Belem) por juego brusco. El encuentro finalizó 1-0 para el conjunto brasileño y el gol lo marcó Everton a los 25 de la primera etapa.


Sin embargo, la fiesta se vivió antes del partido. Numerosas banderas y bombas de humo de color rojo le dieron marco al ingreso a la cancha de Juan Ramón Verón, el símbolo de aquel equipo conducido tácticamente por Osvaldo Zubeldía que marcó un hito en la historia del fútbol argentino”


O texto do Clarín aponta o zagueiro Belém como expulso pelo Palmeiras. Mas o Diario Hoy de La Plata, em contrapartida, anota o cartão vermelho para Wendel. Com a palavra, o próprio Wendel: “Fui eu mesmo o expulso, mas não foi direto não, foi por dois cartões amarelos”. O Diario Hoy aponta para uma expulsão direta. “Não lembro de lances violentos ou desleais no jogo”, trepida a memória de Wendel, que entrou no segundo tempo e atuou apenas 14 minutos, até ser expulso. Vejamos o que diz o relato da publicação Diário Hoy, de La Plata.



Estudiantes no estuvo futbolisticamente a la altura de la circunstancia. El equipo albirrojo adoleció de juego y perdió ante el Palmeiras, en el partido por los festejos del centenario. Frio y poco fútbol, un cóctel poco atractivo para la gran cantidad de publico que se acercó a presenciar el primer amistoso del equipo de Mostaza.


(...) El once paulista manejó mejor la pelota, especialmente en el primer tiempo, a través de las proyecciones de Bruninho e Francis. Se notó la diferencia entre un equipo con rodaje y en plena competencia y otro que todavía está atado y saliendo de la pretemporada (...) Quizás el dato más importante haya sido que Merlo probó con línea de tres en defesa ante la ausencia del Tucumano. No funcionó del todo bien, porque se notó que el sistema no está trabajado.


(...) Podría haber llegado al empate a través de um penal que ejecutó Carrusca. Primeiro lo convirtió, pero Elizondo lo anuló por invasión de campo. en el segundo intento se lo atajó el arquero paulista (...) El juego se fue degenerando con las expulsiones de Ortiz y Pavone, y aunque posteriormente Palmeiras quedó com diez.”



Aos garotos, a exposição


Wilson escalou um razoável time. Deola, Bruninho, Junior, Vitor Hugo e Everton; Thiago Gomes, Francis, Zé Forte e Marquinho; João Paulo e Tom. Um time em que poucos tiveram efetiva chance no Palmeiras, mas muitos se profissionalizaram com alguma relevância.


Para essa garotada, a conexão desse jogo com a Final de 1968 era muito distante. Wendel se recorda. "Alguns diretores que foram conosco na viagem nos contaram do passado do jogo e ficaram felizes quando ganhamos". É natural que um jogo internacional, aos olhos de um garoto, seja valioso, e por muitos motivos. A vida dele está começando, o futebol está apontando o futuro para ele. E ele é que não vai ficar apegado aos anos do passado distante. A realidade mostra que o capitão da Seleção Brasileira nada sabe sobre a Final da Copa de 58, e trata-se de uma falha cultural consumada na comunidade dos boleiros. Porque um atleta do Palmeiras-B se emocionaria com uma Final de 1968?


Quem viveu, se emocionou. Chico Primo, conselheiro que foi chefe da delegação na viagem à Argentina, conta com carinho da ocasião, bem como da trajetória verde como um todo na Argentina. “Foi lindo, nosso time ganhar foi belo porque o argentino respeita muito a gente, sabe por quê? É que uma vez o Di Stéfano e o time misto de River Plate e Boca Juniors usou nosso uniforme, e isso é poesia para os ouvidos deles. Não tem como não ficar feliz com uma vitória daquela.”


Chico se referiu a um jogo no ano de 1948, em que o Palmeiras cedeu os uniformes para um combinado de River Plate e Boca Juniors, quando se marcou uma partida amistosa dos dois contra a Seleção Paulista. Jogadores de um não vestiriam a camisa do outro, e a solução foi usar a camisa verde.


Esse tipo de saudosismo saboroso que Chico Primo destila em altas doses atinge, de um jeito ou outro, a cabeça da garotada, mas sequer divide a hierarquia de prioridades deles. "A gente sabia da responsabilidade e via a importância daquilo, mas o jogo era importante para nós porque buscávamos ser vistos pelos olheiros e ser bem falados pelos diretores. Estávamos no B e tínhamos que mostrar serviço, além do prêmio pela vitória, que era bom", revela Wendel, que, mesmo desastrado na Argentina, subiu ao time principal, poucas estações depois. Segundo Chico Primo, o clube recebeu 20 mil dólares pela partida, e parte disso foi dada aos vencedores da contenda.




A História ofical


O jogo passou pelo tempo de forma discreta, escondido, à sombra. O departamento de história do Palmeiras, inclusive, não considera o jogo como oficial, já que foi feito pelo Palmeiras-B, ainda que, pelos registros do time argentino, não haja tal distinção. Compreensível e coerente registro, embora, sentimentalmente, seja um equívoco. Este jogo foi sim feito pelo Palmeiras, com todas as letras maiúsculas.


Chico Primo, o sagaz representante oficial da direção do Palmeiras na viagem,

É um compulsivo e quase folclórico contador de histórias. No entanto, sua riqueza de detalhes e suas participações quase onipresentes nos acontecimentos que relata nos pediram algumas verificações na história oficial da viagem.


Ele conta que na saída do Jorge Luis Hirsch, conhecido como "1 y 57" (nome da Rua e número do estádio albirrojo), algo inusitado deu aos brasileiros a dimensão daquele evento para La Plata. Torcedores do rival Gimnasia simplesmente apareceram na festa em que obviamente não foram chamados, e quiseram azedar o bolo de Los Pinchas. As duas barras inimigas respingaram violência até na jovem e inocente delegação palmeirense, que sofreu para deixar a cancha. "Sobrou pra mim que tomei uma varada de bambu na cabeça, saindo do estádio em uma praça. Aquela confusão pegou todo mundo desprevenido", conta Chico.


Relatos de torcedores afirmam que cerca de 6 mil torcedores ficaram em frente ao estádio, após o jogo, esperando dar meia-noite para festejar de novo. Não encontramos registros acerca deste confronto com a torcida rival, mas, se Chico conta, algo aconteceu, mesmo que com os descontos dos deslizes de memória. Primo nos contou, por exemplo, que o gol da vitória foi marcado por Everton, e que Zé Forte não tinha viajado com a delegação (quando foi perguntado se procedia a informação de que o atleta havia sido desligado do Palmeiras nessa viagem, por chegar embriagado ao hotel). E, na verdade, o gol foi de Francis, e Zé Forte não só estava presente, como foi titular da equipe.


Quanto à embriaguez de Zé Forte, nada se comprovou, e pouco se insistiu na apuração. Desimportâncias.


Naturalmente que, no final das contas, Estudiantes e Palmeiras disputaram um amistoso. Não foi a coisa mais importante da vida do Palmeiras. Não foi o maior pesadelo dos 100 anos do Estudiantes. Na seqüência, o alviverde fez uma rigorosa serie de partidas pelo Brasileirão que consagrou uma volumosa reação, culminando na classificação à Libertadores. Los Pinchas conseguiram honrar o ano dourado com um quarto lugar no Campeonato Argentino.

O tempo passou, como sempre, rápido, e no ano seguinte, mal começado, eles já estavam na Libertadores. E a Terra foi girando, jogos foram se sobrepondo. Deola foi emprestado ao Guarani, Pavone foi um dos grandes goleadores no Clausura de 2006. O Palmeiras voltou à Argentina, foi à Rosário, empatou com o Central, e o Estudiantes veio até Goiás eliminar o time calango no Serra Dourada. Não consta que se encontraram em nenhuma viagem.


Não deu tempo. Ninguém teve tempo para sentar e desfrutar desse interessante capítulo da história verde. Se alguém teve tempo, certamente não teve o jornal, bonitinho, ilustrado, em português, para conferir. Ao menos, agora, teremos as letras deste texto.



sábado, 19 de abril de 2008

Campeonato Português

Nesse domingo, dia 19 de abril, no Bandsports, comentarei Porto x Benfica, pelo Campeonato Português, ao vivo, a partir das 16h30.

Conto com a costumeira audiência!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Blog do Maurício Oliveira

Confesso que nunca entrei no blog de Maurício Oliveira, do Lance!, sobre futebol nordestino.

Entrei hoje.

E agradeço ao Maurício pelo uso dos escudos que ele encontrou no Distintivos.com.br (perceptível pelo nome dos arquivos), como os do ASA de Arapiraca, do Bacabal, do Vitória-BA, do América de Natal e do ASSU (RN) que estão na página inicial do blog.

Obrigado, Maurício. Se for possível, credite como fonte o Distintivos.com.br. Eu agradeceria em dobro!

Mata-mata

Acabo de receber um telefonema vindo do Rio de Janeiro.

Em 2009, quando acabam os anos exigidos pela lei para se manter uma mesma fórmula de torneio, acabarão os pontos corridos no Campeonato Brasileiro, por exigência de quem manda de fato, a Rede Globo.

Muitos do Clube dos 13 estão mais do que "convencidos". Se é que entendem as aspas.

Seria o maior retrocesso do futebol brasileiro desde a virada de mesa pós-Sandro Hiroshi.

Seria o enterro que tudo que se construiu até agora no futebol brasileiro.

Espero que minha fonte, que acertou tudo que me passou até agora, esteja equivocada.

Pelo bem do futebol brasileiro.

Goiás 3 x 1 Corinthians

Na chuvosa noite de Goiânia, o Corinthians apresentou um futebol que é exatamente o que o seu torcedor tem que mais temer no ano de 2008. A Copa do Brasil, já diz o detestável clichê, é o caminho mais curto para a Libertadores da América. Por isso, é extremamente importante.

Mas o Corinthians precisa desse título em 2008?

Claro, um título é sempre interessante, ainda mais para um time que busca um renascimento depois de uma mortificante temporada. Mas para o Corinthians, esse gigante, o que realmente importa nesse ano é a Série B. Na verdade, não a Série B em si, mas o obrigatório acesso: ao contrário do que escreveu a Torcida Orquestrada nos muros do Parque São Jorge, obrigação mesmo é subir para a Primeira Divisão. Voltar ao lugar de onde Dualibabás e sinistras mãos pilharam o alvinegro.

E contra o Goiás, um jogo preocupante.

Certo que os esmeraldinos goianos jogaram direitinho, muitíssimo bem montados pelo competente Caio Júnior. Certo também que Paulo Baier (como ornam Paulo Baier e Goiás) foi muito bem e não só pelos dois gols; foi um Caio Júnior dentro de campo, orientando um time que vinha de surpreendente derrota para o Anápolis no estadual e que lutava contra seu próprio cansaço e pessimismo.

Mas o Goiás dominou. Com larga vantagem, dominou com clareza o primeiro tempo.

E é isso que preocupa.

O time paulista, completo, ficou refém de um time bem armado. Com o 0x2, precisou fazer o que não sabe - atacar. Um meio campo débil, já que Diogo Rincón é bom jogador, mas está na Ucrânia em relação ao que se espera dele como articulador de jogadas. André Santos, bom lateral, é um termômetro: mal André Santos, mal o Corinthians. É pouco, muito pouco.

No ataque, o Corinthians é uma tristeza. Dentinho machucado, o alvinegro fica desgraçadamente dependente de Acosta (que ainda não entendeu que não está mais em um time cujo tamanho lhe permite jogar em função dele), Herrera (que corre, se mata, se esfalfa e se refestela; mas é fraquíssimo) e Finazzi (que é só um fazedor de gols, mas nem sempre os faz). No meio, Fabinho é muito bom. Mas Bóvio é muito ruim. E Nilton ainda precisa de jogo.

A defesa, ponto forte do time, mostra falhas quando a dupla (hoje, o trio) não a protege como deve.

E Mano Menezes, que considero uma das grandes promessas do futebol brasileiro, precisa tirar leite de pedra.

Contra o time que indiretamente o rebaixou, o Corinthians mostrou que o caminho é longo. Muito longo.