domingo, 30 de setembro de 2007

FC Dordoi-Dynamo

Hoje o Dordoi-Dynamo, do Quirguistão, conquistou o bi-campeonato da AFC President´s Cup uma espécie de terceira divisão da Liga dos Campeões da Ásia. Disputada pelos campeões dos países considerados emergentes pela Confederação Asiática, a Copa teve esse ano 8 participantes: Pakistan Army (Paquistão), Ratnam SC (Sri Lanka), Transport United (Butão), Regar TadAZ (Tadjiquistão), Khemara (Camboja), Mahendra Police Club (Nepal), Tatung (Taiwan) e o próprio Dynamo.

O time quirguiz, que usa uniformes brancos com detalhes azuis, venceu o nepalês
Mahendra Police por 2 a 1, gols de Azamat Ishenbaev (pênalti) e Roman Kornilov, com Jumanu Rai descontando para o time himalaio. O técnico quirguiz é Boris Podkorytov, que foi técnico da seleção nacional durante as Eliminatórias para a Copa´06 e comanda o time desde o começo desse ano.

Sediado em Naryn, cidade localizada na região central do Quriguistão, o Dordoi (nome de uma das muitas montanhas que rodeiam a cidade) recebe investimentos da UCA, a Universidade da Ásia Central, que tem um de seus campi na cidade. Por isso, desde a virada do século, o time tem dominado o futebol local, trazendo a cidade de volta ao proscênio, já que Naryn teve dois grandes períodos de força econômica: durante o século 1, quando foi importante na antiga Rota da Seda e durante o domínio soviético, quando a mineração trouxe muito dinheiro.

Agora, como único time quirguiz a ganhar títulos internacionais, o Dynamo torna-se destaque no país com futebol mais fraco daqueles que surgiram da dissolução da União Soviética.

Alemanha, Germany, Deutschland - o que há por trás de um nome

Sérgio Santos me liga perguntando por que no Brasil a Alemanha tem esse nome, se lá é Deutschland e nos Estados Unidos é Germany.

Em alto alemão antigo (estágio inicial da língua alemã), a palavra diutisc significava "povo" ou mais precisamente, "companheiros". Quando autores escreviam sobre a região por volta do ano 500 a.C., eles se referiam como Diusticland, que com o tempo, acabou virando Deutschland.

Por esse motivo, terras do norte da Europa chamam o país de nomes assemelhados ao nativo Deutschland: na Dinamarca, na Suécia e na Noruega, é Tyskland e na Islândia, é Þýskaland. Nos países do extremo oriente, por razões desconhecidas, usa-se palavras parecidas: em coreano é Dogil, em japonês é Doitsu, em chinês é Déyìzhì.

Já a palavra Germania (e seus similares) veio de relatos romanos, quando o imperador Júlio César utilizou o termo Germanus para se referir a tribos belgas em seu Commentarii de Bello Gallico, datado de 98 d.C. Por isso, acredita-se que o termo tem origem no celta gair (vizinhança), razão pela qual a maioria dos países de idioma latino não adotou o termo Germânia, exceto Itália e Romênia, ao contrário de países com influência celta ou posteriormente, saxã.

A palavra Alemanha vem das tribos alemânicas, que receberam esse nome da palavra proto-germânica Alamanniz, que significa o que vem de fora, sendo origem também dos termos "aliás" e "alienígena", por exemplo. Esse termo foi disseminado pelo oeste da Europa, especialmente França, Espanha e Portugal.

Em alguns países, ainda se usam nomes vindo de tribos saxônicas (em finlandês, o país é chamado de Saksa), nomes vindos de tribo nemetes, de várias etnias e que vivam no entorno do rio Reno (em tcheco, é Německo e em polonês é Niemcy).

Absurdo

Já começam as hienas de plantão: "Eu avisei", "Estão parecendo a seleção feminina de vôlei", "A Marta amarelou".

Ora, seus comedores de carniça!

Vão se catar!

A Haka brasileira

Acabo de ver as valorosas jogadoras da seleção feminina de futebol entrando em campo para a final contra a Alemanha.

Elas dançavam em roda, cantando músicas de Ivete Sangalo.

Ao lado delas, as alemãs olhavam de lado, olhos arregalados.

É impossível não lembrar da Haka, ritual da seleção neozelandesa de rúgbi.

É a Haka Brasileira.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Roberto Dias e Bodinho



Dia 22, morreu Bodinho, o Rei das Cabeçadas Imortais, do imenso Rolo Compressor do Internacional de Porto Alegre.

Hoje, morreu Roberto Dias, um dos mais brilhantes zagueiros da história do futebol mundial, que jogou sempre no São Paulo e tornou-se referência como atleta e ser humano.

Enquanto grassam pavorosas nulidades no futebol brasileiro e certos brucutus e cabeçudos são endeusados, Bodinho e Dias nos olham, lá de cima.

E sorriem.

fotos:
Roberto Dias - site Milton Neves
Bodinho - Inter, divulgação / clicRBS

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Myanmar

Meu objetivo não é falar do futebol de Myanmar, a antiga Birmânia, localizado no sudeste asiático. Quero me solidarizar com os monges budistas que estão protestando, mais uma vez, contra a cruel e sanguinária ditadura militar de Than Shwe. Que a lutadora e democrata Aung San Suu Kyi logo se torne livre e que o país logo se desprenda de tamanho carma.

E lembrando aos que insistem em estranhar o nome do país, alterado em 18 de junho de 1989: Myanmar vem da palavra Mirma, que é como o país foi citado no primeiro registro escrito sobre o país, em um texto mongol de 1102. Há quem diga que a palavra Mirma (Mrnma em birmanês) vem do nome do deus Brahma, no entanto, muitos lingüistas negam essa tese. No entanto, o idioma e o patronímico ainda são chamados de "birmanês".

AD Torrejón


Essa semana, mais um grupo de atletas posou nua para a revista espanhola Interviù. Dessa vez, foram as jogadoras do time feminino de futebol da AD Torrejón, da cidade espanhola de Torrejón de Ardoz.

Alguns amigos me perguntaram sobre o time, sobre o escudo e sobre a cidade.

A cidade de Torrejón de Ardoz, localizada na região metropolitana de Madrid, recebe esse nome graças à uma torre que os habitantes originais da região construíram para se proteger dos inimigos que porventura chegassem às margens do rio Ardoz, que corta a cidade. Inclusive, no escudo do time, aparece essa torre.

A AD Torrejón CF surgiu em 2001, fruto de de uma fusão entre dois times, a AD Torrejon e o Torrejón CF e atualmente disputa, com seu time masculino, a 5ª divisão espanhola (setor Madrid), fazendo campanha apenas razoável. O time feminino está na 1ª divisão e sempre se destaca, fazendo repetidamente boas campanhas.

O time alvirrubro joga no estádio municipal de Las Veredillas, que viu surgir, muito pequeno, o meia Guti, atualmente no Real Madrid (onde de fato começou).


Uma mancha na história corinthiana

Promiscuamente encalacrado nos porões varguistas, o São Paulo obrigou um time de futebol a mudar de nome, por razões que tangenciam, para dizer o mínimo, o preconceito e o higienismo. Ao meu ver, mancha indelével na gloriosa história tricolor.

Pulando pelas janelas de seus famosos vitrais, o Fluminense saiu duas vezes de divisões inferiores e graças a advogados duvidosamente habilidosos (espécies de trombadores dos tribunais) e estabeleceu-se vergonhosamente na primeirona. Mancha que não sai nem com água de laranjeira. O mesmo vale para o Bahia, que está purgando com o calvário atual.

Mustafanicamente montado, o Palmeiras caiu para a Segunda divisão de um futebol que já lhe viu campeão nacional pelo menos quatro vezes. Apesar de ter honradamente voltado no campo, é uma mancha nada verde eterna. O mesmo vale para Grêmio, Botafogo e Atlético Mineiro.

Agora, o Corinthians é manchado. Dualibabá (trocadilho que já vem de fábrica) traz ao clube uma parceria Alibabesca. Com dinheiro vindo de Oz, os empresários georgianos-russos-iranianos-suevos-ostrogodos emporcalharam (ops!) uma história nascida sob a luz de lampiões e que periga morrer sob a luz dos interrogatórios. Que o gigante Corinthians renasça e volte a ser o que foi um dia. Mas sua história estará manchada.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

domingo, 23 de setembro de 2007

Antilhas Holandesas


Data marcada para acabar

Um país com data marcada para desaparecer. Uma seleção no fim de sua existência. No dia 15 de dezembro de 2008, as Antilhas Holandesas (dependência da Holanda que reúne Curaçao, Bonaire, St. Eustatius, Saba e St. Maarten) deixarão de existir oficialmente. Elas nunca foram uma unanimidade nem mesmo dentro das ilhas que a compõem, que jamais tiveram uma relação harmoniosa com o governo antilhano. Em 1996, Aruba tornou-se independente das Antilhas e se submete apenas à Holanda.

Entre junho de 2000 e abril de 2005, as cinco ilhas fizeram plebiscitos internos que decidiram sobre alguns pontos essenciais nesse status político caribenho: Saba, Bonaire e St. Eustatius decidiram-se tornar municípios holandeses, enquanto Curaçao será um ‘estado associado’, no estilo de Aruba, e St. Maarten buscará a total independência a partir de 2009.

Evidentemente, isso terá impacto no futebol da seleção navu (sigla da federação local que acabou por se tornar apelido do selecionado antilhano) e do âmbito doméstico das Antilhas Holandesas. A Concacaf ainda não decidiu o que fará nas eliminatórias para a Copa de 2010, já que as Antilhas eram, apesar de fracas, muito tradicionais, disputando o torneio qualificatório desde a Copa da Suécia, quando jogou ainda como Curaçao (já que o país passou a ter o nome atual em 1957). Por hora, Antilhas Holandesas consta entre as 35 federações convocadas para as eliminatórias.

Curaçao ganha. Bonaire participa

Sempre muito dependentes do apoio financeiro e logístico da Holanda, as Antilhas Holandesas têm no futebol o esporte mais popular, tanto que desde o início do século 20 existe um campeonato organizado em Curaçao (uma das principais e maiores ilhas). No âmbito local, o completo domínio do Jong Holland, da capital Willemstad, é flagrante, com 15 títulos, dez a mais que o Centro Barber, também da capital. Em Bonaire, existe um torneio desde 1961, com domínio do Estrellas, e, em Aruba, com campeonato desde 1960, quem manda é o Dakota, de Oranjestad, a capital.

Idealizada por Antoin Maduro, dirigente esportivo que dá nome ao segundo maior estádio do país, surge em 1961 a Kopa Antiano, que reúne os primeiros colocados das ligas de Curaçao e Bonaire, sendo que, até 1985, times de Aruba disputaram o campeonato. A Kopa Antiano tem absoluto domínio de times de Curaçao: apenas em 1965 (com o arubenho Racing Club Aruba) e em 1970 (com o Estrella Santa Cruz, também de Aruba) times não-curaçoenses venceram o torneio, que tem no Jong Colombia, de Boca Samí, o maior campeão, com 13 títulos. Já os times de Aruba nunca obtiveram bons resultados, com exceção do Juventus, de Antriol, vice-campeão na temporada 2000/1.

Nesses campeonatos, um nome sempre lembrado é o de Ergilio Hato, apelidado de ‘Zwarte Panter’ (‘Pantera Negra’), um lendário goleiro antilhano nascido em Curaçao e que quase foi contratado pelo Ajax na década de 50, mas recusou a profissionalização, tornando-se um herói do futebol local e até mesmo do nacionalismo curaçoense, que sempre se confunde com a história das Antilhas Holandesas.

Novos nomes

Se, na década de 60, as Antilhas Holandesas venceram os Jogos do Caribe e América Central e foram vice-campeãs na Copa CCCF (precursora da atual Copa Ouro da Concacaf), hoje o futebol nas Antilhas vive fase terrivelmente fraca: a seleção não ganha um jogo oficial da Fifa desde 2004, quando venceu por 3 a 1, em amistoso, a República Dominicana.

Os únicos nomes de algum destaque são Javier Martina, de 20 anos, que joga pelo Ajax (e, normalmente, pelo time B); Ashar Bernardus, de 19 anos, que joga no Jong Colombia; o atacante Rocky Siberie, que joga no Valetta, de Malta; o meia Leon Kantelberg, do holandês VVV; e Angelo Cijntje, que fez carreira no Heerenveen e hoje está no Veendam, ambos da Holanda.

É muito difícil (até inútil) analisar qual o futuro do futebol antilhano. Todos os jogadores acima citados e mesmo os atuais jogadores da seleção são nascidos em Curaçao, o que praticamente assegura que a futura seleção curaçoense terá possibilidade de, pelo menos, disputar torneios continentais. Já Bonaire tem um futuro ainda mais nebuloso, da mesma forma que Saba e St. Eustatius. Certo mesmo, apenas o fim das Antilhas Holandesas.

matéria de minha autoria originalmente publicada na Trivela.


sábado, 22 de setembro de 2007

Nottingham Forest

Uma cena inusitada marcou a repetição do jogo entre Nottingham Forest e Leicester City, pela segunda fase da Copa da Liga Inglesa, nesta terça-feira.

O Leicester concedeu deliberadamente um gol ao Forest logo no início da partida, já que perdia por 1 a 0 quando o jogo original foi suspenso, dia 28 de agosto.
Na ocasião, a partida foi cancelada no intervalo, depois de o defensor Clive Clarke, do Leicester, sofrer um colapso cardíaco no vestiário. Clarke, que está emprestado ao Leicester pelo Sunderland, precisou ser socorrido com um desfibrilador antes de ser levado ao hospital, onde recuperou a consciência.

Em uma demonstração de fair play, o Leicester permitiu que o Forest restabelecesse a vantagem que tinha antes da suspensão. O goleiro do Forest, Paul Smith, fica com o primeiro gol de sua carreira para as estatísticas. O Leicester acabou vencendo por 3 a 2 e vai visitar o Aston Villa na terceira fase, dia 26.

* * *
Atualmente na League One (a 3ª divisão inglesa), o Nottingham tem um passado glorioso, com 2 títulos da Copa dos Campeões da Europa (atual UEFA Champions League) em 1979 e 80, sempre durante a gestão do lendário técnico Brian Clough, considerado um dos mais brilhantes treinadores do futebol inglês em todos os tempos e que esteve à frente do time de 1975 até 1993.

Quando os Reds caíram para a terceira divisão, tornaram-se os primeiros campeões europeus a não estarem nas duas primeiras divisões de seus países. E até hoje, essa duvidosa honra ainda pertence apenas ao Nottingham, comumente chamado apenas de Forest, o que, inclusive, está registrado em seu escudo.

Foi em um jogo entre Nottingham Forest e S
heffield Norfolk (atualmente Sheffield United) que pela primeira vez um juiz utilizou um apito. Até então, o juiz e seus auxiliares usavam apenas bandeiras para se comunicarem. Outra curiosidade é que também foi em um jogo do Forest em seu estádio, o City Ground, que colocou-se redes nas traves, que até então eram apenas os três paus.

O nome da cidade ficou famoso com a história de Robin Hood, que morava nas florestas de Sherwood, originalmente localizada de fato entre Nottingham e Doncaster, mas atualmente reduzida a menos de 5 km² de extensão, após inúmeros processos de desmatamento. Por causa disso, Sherwood virou um parque nacional, além de continuamente receber dinheiro de instituições destinadas a manter sua existência.

A origem do nome de Nottingham é bastante curiosa: por volta do ano 600 a.C., a região, conhecida como Tigguo Cobauc ("local das cavernas profundas") foi conquistada pelo saxão Snot, que renomeou-a como "Snotingaham", que significa "o lar do povo de Snot": inga = "o povo de" e Ham = "lar".


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

São Marcos e a tempestade

Agora que Marcos vai voltar ao Palmeiras, no banco contra o Corinthians nesse domingo, relembro texto que escrevi um dia depois dele se machucar contra o Juventus. Esse blogue ainda nem existia...

Um trecho de um poema de autor gaúcho, diz: "e num dia de tempestade, para quem eu vou correr?".

Nas duas maiores tempestades que o Palmeiras viveu (semifinal da Libertadores de 2000 e Segundona de 2002), os palmeirenses sabiam e
souberam para quem podiam correr.

Marcos, nome no necessário e justo plural, aquele que chora quando o Palmeiras perde. Marcos, aquele que age no campo como se estivesse na
arquibancada.

Marcos, que levou Tuchês, Alexandres, Galeanos e Guerreiros nas costas, ombros e braços.

Marcos, que levou palestrinos nas costas, ombros e braços.

Os braços de Marcão são os braços dos palmeirenses, esticados para alcançar um amor que só o palestrino explica.

Esse braço que um dia carregou a bandeira do Brasil campeão do mundo.

Que nessa tempestade, Marcos saiba para quem correr.

Nós, palestrinos, corinthianos, jornalistas, geógrafos, aprendizes de goleiro e aprendizes de gente.

Nós estaremos aqui, Marcão.

Essa tempestade passará.

Sempre passa.

Passou, Marcão.

Esitvemos sempre aqui.

Sorte agora.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Boca não surgiu amarelo e azul

A versão mais difundida das cores do Boca Juniors é que, quando da fundação do time xeneize, decidiram que a bandeira do primeiro navio que passasse pelo porto de Buenos Aires daria ao clube suas cores. Como passou um barco sueco, o Boca assumiu o azul e o amarelo.

Apesar de correta, a versão é imprecisa. Os mais antigos dizem que a primeira camisa do time era rosada, com calções brancos, uniforme que foi usado por pouquíssimo tempo e apenas em alguns jogos. Até que em finais de 1905 (o time é de abril), o Boca usou seu primeiro uniforme de fato. E ele era listrado em preto e branco, como mostra uma das camisas comemorativas do centenário abaixo retratada.

Mesmo essa camisa não durou muito tempo, logo sendo adotado um modelo idêntico, mas azul e branco. Como havia outro time na cidade com esse uniforme (o Boedo, do bairro homônimo de Buenos Aires), ambos fizeram um jogo para decidir quem ficaria com esse uniforme. O Boca perdeu e teve que escolher outra combinação de cores.

Aí aconteceu o que a história conta. Surge o uniforme azul e amarelo (apesar da faixa amarela ser diagonal, como a do River Plate e do Vasco, por exemplo), que muda em 1912 para a configuração atual, com a faixa amarela larga na horizontal.


A suspensão de Hugo

Cuspir no chão é uma coisa nojenta. Até o verbo é feio: cuspir, escarrar.

Cuspir em outro ser vivo é inominável.

Hugo cuspiu no jogador paranista Goiano. Tomou injustos 120 dias de suspensão. Deviam ser 350.

Suspenso no Campeonato Brasileiro.

Eis que ele aparece, lépido, no jogo contra o Boca pela Sul-Americana,onde, legalmente, ele poderia jogar.

Muricy, admirado (por mim, muito admirado) defensor da lealdade no futebol, errou.

A escalação de Hugo para um jogo de futebol dentro dos próximos 120 dias é imoral.

Assim como a escalação de Túlio pelo Botafogo contra o River Plate.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Sevilla (Sevilla Fútbol Club e Real Betis Balompié)

Aproveitando o texto do Luiz Eduardo, uma breve pesquisa sobre os dois principais times da cidade, o Sevilla e o Betis.

A cidade espanhola de Sevilla, localizada ao sul da Espanha, é a capital da Andaluzia, região formada por oito províncias: Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla. O nome Sevilla vem da antiga nomenclatura da cidade, Hispallis, de origem latina e que unia os nomes de Itálica (cidade-vizinha fundada pelo general romano Scipião Africano e hoje em ruínas) e Hispania. Com a chegada dos árabes, mudou para Ishbiliya (em árabe, أشبيليّة), de onde surgiu a atual forma "Sevilla", ou como preferem alguns nativos do português, Sevilha.
Fundado em 1905, o Sevilla Fútbol Club é o time mais antigo da cidade. Vermelho e branco, homenagem de parte dos seus fundadores ingleses, o Sevilla já conquistou um Campeonato Espanhol (temporada 45/46), quatro Copas do Rei (1935, 1939, 1948 e 2007), uma Supercopa de España (2007), além de duas Copas da UEFA (2006 e 2007) e uma Supercopa da Europa (2006).

O estádio dos Rojiblancos (alvirrubros) é o Ramón Sánchez Pizjuán, que homenageia o ex-presidente
Ramón Sánchez Pizjuán y Muñoz, que comandava o clube quandos dos títulos de 1939, 1945/46 e 1948. Foi Pizjuán que financiou o estádio, projetado pelo mesmo arquiteto que projetou o Santiago Bernabéu, do Real Madrid, mas morreu antes do estádio pronto. Quem inaugurou o Sánchez Pizjuán foi Ramón de Carranza, sucessor do presidente. Foi nesse estádio que o Brasil estreou na Copa de 1982, ante a União Soviética, com difícil vitória por 2 x 1, além da semifinal entre França e Alemanha, vencida nos pênaltis pelos alemães.

No lado esquerdo superior do escudo, há três figuras, assim como existem no brasão da cidade. São elas: ao centro, São Fernando (o rei Fernando III de Castela e de Leão), importante vulto histórico na reconquista da Andaluzia das mãos dos árabes; à esquerda, Santo Isidoro, um dos grandes estudiosos da Igreja Católica Romana e responsável por muitos dos relatos que contam a história da Espanha e de Portugal; à direita, São Leandro, irmão de Isidoro e responsável pela conversão do rei Recaredo de Hispania, trazendo o catolicismo para a Península Ibérica.

* * *

Fundado em 1907 como España Balompié, o time logo mudou o nome para Sevilla Balompié. Como acontece em muitos times, em 1909 alguns dirigentes se desentenderam com outros e fundaram o Betis Foot-ball Club. Cinco anos depois, o Sevilla Balompié fundiu-se com o Betis FBC, o que fez surgir o Real Betis Balompié.

O nome Betis vem da denominação original do rio Guadalquivir, que se chamava Tertis e posteriormente,
Bætis. Quando Roma governa a região, denomina-a toda de Hispana Betica, nome que persistiu até o século 9: ainda hoje, muitos andaluzes se proclamam "béticos". Também andaluz é a origem das cores do time, que são as mesmas da província da Andaluzia. Já Balompié é uma tentativa, algo frustrada, de se castelhanizar o termo inglês "foot-ball".

Ganhadores do título espanhol da temporada
1934/35 e de duas Copas do Rei (1977 e 2005), os verdiblancos ("alviverdes") jogam no estádio Manuel Ruiz de Lopera, nome do atual presidente do clube. O estádio serviu de sede para a Copa de 1982, quando ainda se chamava Benito Villamarín, homenagem a um dos fundadores: joogaram Brasil 4 x 1 Escócia e Brasil 4 x 0 Nova Zelândia.


O alento andaluz

De fato, é de admirar o que tem feito o Sevilla, um time nada além de médio, nessas últimas temporadas do futebol espanhol e europeu.

Mas quem diz ainda melhor é Luiz Eduardo de Souza Mouta, da sempre fantástica comunidade orkutiana Mauro Beting.

Um alento vindo da Andaluzia

por
Luiz Eduardo de Souza Mouta

Nesses tempos já tão citados aqui na comunidade de raras equipes praticando um nível de jogo equilibrado, ao mesmo tempo eficiente e bem jogado, tive o prazer de contemplar, neste início de temporada européia, uma equipe que, ao meu ver, pode ser um bom colírio dominical aos olhos de admiradores, como eu, do futebol europeu: o Sevilla.

Uma equipe que joga simples, num 4-4-2 europeu, formado por 2 linhas de quatro homens, que ficam bem compactas quando a equipe defende. E com uma movimentação ofensiva muito surpreendente para equipes que jogam nessa formação. Destaque muito grande para os atacantes Kanouté e Kerzhakov, que conseguem mesclar um grande faro de gol, com uma presença de área muito forte, e com boas movimentações fora da área abrindo espaços para os homens de meio-campo que vem de trás.

Os triângulos formados pelos lados do campo, principalmente pelo lado direito com o Daniel Alves, Jesús Navas e Kerzhakov/Kanouté, com constante rotação dos homens de meio-campo e dos homens de frente tornam muito insinuantes os ataques da equipe da Andaluzia. Quando Daniel Alves sobe com a bola vindo de trás, vem fazendo o movimento de progressão em diagonal, contando com a movimentação flanqueada do Jesús Navas e às vezes de um dos atacantes. Sem contar o bom volante Renato, quando deixa de fazer o se papel momentaneamente para se apresentar pela direita na organização das jogadas ofensivas. No lado esquerdo, Dragutinovic fica mais plantado, mas ajuda na saída de bola e confia o desenrolar das jogadas ao bom médio-ala português Duda, sempre auxiliado, assim como pelo lado direito, pela sempre eficiente e inteligente movimentação dos atacantes.

Um outro fator preponderante que faz-me acreditar na equipe do Sevilla é que, nessa temporada, a equipe possui um elenco muito mais homogêneo, com boas reposições em quase todas as posições. Possui 5 bons zagueiros (Fazio, Boulharouz, Davi Navarro, Escudé e Mosquera), 4 volantes que tem boa saída de bola e bem completos no trabalho box-to-box (Keita, Renato, Martí e Maresca), wingers velozes e dotados de boa técnica pelo flanco (Jesús Navas, Tom de Mul e até Daniel Alves pela direita, e Duda, Adriano Correia e Diego Capel pela esquerda), 4 atacantes perfeitamente cambiáveis (Kanouté, Kerzhakov, Luís Fabiano e Arouna Koné) e dois goleiros muito seguros (Morgan de Sanctis e Andrés Palop). Para a lateral esquerda, tem a reposição de Dragutinovic com o médio-ala mas que pode jogar de lateral-esquerdo em caráter emergencial Adriano Correia.

Só uma posição em que a reposição pode manter exatamente o mesmo nível: a lateral-direita. Dani Alves é titularíssimo e importantíssimo nas transições ofensivas da equipe, pela excelente válvula de escape e volume de criação de jogadas que dá com a dupla formada por ele e Jesús Navas. Sem ele, o alemão Hinkel é um bom marcador, mas não tem a agilidade ofensiva e o ímpeto das boas penetrações em diagonal do bom lateral brasileiro, que abre muitos espaços para o rápido e insinuante jogo do médio-ala espanhol.

Portanto, com esse bom elenco, formado sem gastar muito dinheiro comparado com outras potências futebolísticas européias, com muita inteligência pelo competentíssimo técnico Juande Ramos (que já foi muito bem em outras equipes consideradas médias do futebol espanhol como o Bétis e o Espanhol de Barcelona), pode ainda render muitos frutos nesta temporada. Principalmente num campeonato espanhol com um irregular Real Madrid ainda em formação com novo e inexperiente técnico para um clube de sua grandeza e um Barcelona que, apesar da certeza da qualidade individual de seus homens de frente, ainda é uma incógnita quanto ao seu equilíbrio como equipe.

Na Liga dos Campeões, se for beneficiada por um bom sorteio na segunda fase do torneio - pois acredito plenamente que a equipe não se limitará à primiera fase do torneio europeu, ainda pelo grupo bom que pegou, sem contar o já citado elenco da equipe da Andaluzia - pode chegar bem longe e até sonhar com o título europeu. Na Copa do Rei da Espanha, penso que a equipe é uma das favoritas ao título, assim como foi campeã no ano passado.

Portanto, eis um alento para os admiradores não somente do futebol bem jogado, mas também de um time equilibrado e entrosado: prestem atenção na Andaluzia, que, esse ano, não fazer-se-á notar apenas pela produção de 70% do azeite espanhol e pelos vinhos finos de Jerez. Mas também por um bom time, que, assim como a sua respectiva província conseguiu há 25 anos atrás, quer dar o seu grito de autonomia e sua manifestação de força no futebol europeu.


segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Kerlon

Em primeiro lugar: acho injusto chamarem Kerlon de foca. É um jogador de evidente habilidade. Pode ser a "habilidade do macaco" que caracterizou alguns denílsons por aí. Mas pode ser a habilidade produtiva de Garrincha, por exemplo.

Chamar Kerlon de foca é taxar, desde já, um jogador que não sabemos no que vai dar.

Mas o que ele fez ontem, contra o Atlético Mineiro, não se faz.

Não pelo lance de habilidade. Não sou politicamente incorreto de "dar uma pezada" (como disse o sempre desastrado Leão) num jogador que faz isso. Tampouco sou incoerente de defender o futebol-Telê e defenestrar o futebol-Parreira e, ao mesmo tempo, condenar quem joga com arte.

Mas quem já entrou em campo, como jogador amador que seja, há de se identificar com o que estou falando.

Quando você está perdendo um jogo, um clássico, não tem lugar para cabeça-fria. Não tem lugar para contar até dez ou "atravessar o rio antes de xingar a mãe do crocodilo".

Quando Kerlon pegou a bola, no lado da área, fez meia-dúzia de embaixadinhas e começou sua apresentação circense (um fato), estava tentando fazer um gol? Dar um passe?

Ou queria ele exibir sua habilidade superior aos demais, tão incautos e incultos, reles derrotados tomando uma virada do maior rival?

Jogar bonito é uma coisa. Louvável, necessária. O que Kerlon fez, no momento que fez, nas circunstâncias que fez, contra quem fez, foi esportivamente hábil.

E humanamente inábil.


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Guia de Pronúncias - ALBANÊS

ALBANÊS

e - lido como "é"

ë - lido como "ã" em "sã"

c - lido como "ts"

ç - lido como "tch"

dh - lido como o "th" em "the"

gj - lido como "dj" em "adjunto"

i - lido como "ee" em "bee"

j - lido como "i"

nj - lido como "nh"

th - lido quase como um "f"

q - lido como "ch"

x - lido como "ds" em "edson"

xh - lido como "dj"

zh - lido como j

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Slavia Praga - Sportovní Klub Slavia Praha

A pedido do caríssimo Maurício Vargas, algumas curiosidades sobre o Slavia Praga, o time mais alternativo da fase de grupos da UEFA Champions League.

O Slavia foi fundado em Vinohrady, cidade da região metropolitana de Praga, capital da República Tcheca, em 1892, como um clube poliesportivo, mas com ênfase no hóquei e no ciclismo, com o nome de Sportovní klub Akademický Cyklistický odbor Slavia Praha. Alguns anos depois, voltou-se totalmente para o futebol, justamente para competir contra seu maior rival à época, o Atletická Praga, hoje extinto.

Os grandes jogadores da história do Slavia foram o goleiro Plánička (que esteve nas Copas do Mundo de 1934 e 1938), Josef Bican , Patrik Berger (que esteve na Copa de 90), Poborský (que jogou na Copa de 2006).

A estrela vermelha no escudo do Slavia representa a fé e a confiança e existe desde sua fundação, ou seja, nada tem a ver com o comunismo que governou a antiga Tchecoslováquia, como afirmam alguns textos. Já a camisa do time, dividida ao meio em branco e vermelho, simboliza a dicotomia existente entre a paz (o branco) e a guerra (o vermelho).

O apelido do time, sešívaní ("costureiros"), deriva das primeiras camisas serem costuradas uma a uma, pois não haviam camisas de duas cores; então, era preciso cortar ao meio uma camisa vermelha e uma branca. O Slavia joga no estádio Evžena Rošického, em Praga, ao lado do mítico Strahov, que já chegou a ser o maior estádio do mundo e hoje está em reformas. O nome do estádio é homenagem a Evžen Rošický, triatleta e herói de guerra tcheco, morto por forças nazistas em 1942.

Títulos:
Mitropa Cup: 1938

Campeonato da Tchecoslováquia: 1913, 1925, 1928/29, 1929/30, 1930/31, 1932/33, 1933/34, 1934/35, 1936/37, 1946/47

Campeonato da República Tcheca: 1897, 1898, 1899, 1900, 1901, 1939/40, 1940/41, 1941/42, 1942/43, 1995/96

Campeonato da Boêmia: 1918, 1924

Copa da República Tcheca: 1941, 1942, 1945, 1974, 1997, 1999, 2002



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Napier City Rovers


Filipe Lima pergunta-me do Napier City Rovers.

O Rovers é um time da Nova Zelândia, surgido em 1973 através da fusão entre Napier Rovers and Napier City, ambos da cidade de Napier, localizada a leste da Ilha Setentrional neozelandesa. Desde que o time surgiu, estabeleceu-se com um dos grandes no cenário local, conquistando 4 títulos nacionais (1989, 1993, 1998 e 2000) e chegando ao vice-campeonato outras três vezes, além de ter sido terceiro colocado na Copa da Oceania de 2001.

Com a profissionalização da Liga neozelandesa (a NZFC - New Zealand Football Championship
), uma união de times da região de Hawke´s Bay, onde fica Napier, deu origem ao Hawke's Bay United e o Rovers foi extinto. Mas torcedores insatisfeitos remontaram o time e hoje ele disputa torneios regionais, além de jogar a tradicional Chatham Cup, a Copa da Nova Zelândia, disputada desde 1923 e que já foi vencida pelo Napier City por quatro ocasiões (1985, 1993, 2000 e 2002): esse ano, foi eliminado nas Oitavas de Final pelo Miramar Rangers, que também disputa apenas torneios regionais.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A preguiça de parte da imprensa esportiva, por Roberto Piantino

"Que venha logo, e definitivamente, a geração de PVC, Calçade, Mauro Cézar Pereira, Mauro Beting...para que muitos possam dormir ou passear com o cachorro durante os jogos desse futebolzinho horrendo que existe por aí."

Caso Corinthians x MSI

Odeio a frase "eu te disse", mas ela se aplica nesse caso.

Qualquer analista razoavelmente sério sempre soube que o dinheiro da MSI era no mínimo, duvidoso. Qualquer observador senhor de suas faculdades mentais sabia que no fim da parceria o Corinthians estaria no mais sujo e profundo lamaçal. Qualquer torcedor corinthiano sabia que as possíveis vitórias do time galático deveriam ser comemoradas alegremente, mas com uma desconfiada parcimônia.

A partir da sujeira recém-descoberta, creio que algo deva ser feito. Parece óbvio. Claro que os dirigentes, pais dessa insídia, devem ser necessária e justamente enjaulados: do ex-presidente ao investidor iraniano-inglês-russo-georgiano-terradonunquense, passando pelos conselheiros que calaram-se diante da espúria parceria, nascida suja, morta atraiçoada e exumada podre.

Mas a punição exclusiva aos dirigentes seria apenas uma etapa. Acho que punir os dirigentes como se eles fossem entidades à parte no clube é um despropósito.

Acredito que o Corinthians deva ser punido. Não sei como. Não sei se tendo seu título de 2005 cassado, não sei se rebaixado, não sei se suspenso. Não sei.

Afinal, qual a diferença entre um jogador dopado, um juiz subornado e um jogador comprado com dinheiro de máfia criminosa ?

Ambos se beneficiaram de algo que é proibido.

Bode expiatório? Talvez. Mas se não pegarmos um como exemplo, nunca vamos pegar nada.

E deixaremos tudo como está.

Um que seja punido já é grande ganho.

Repito: a contratação de jogadores de forma que fica à margem da lei brasileira é levar vantagem e influenciou diretamente no resultado.

O presidente do Mappin foi preso, o Mappin fehcou. Enron, Comind, Haspa. São vários exemplos.

Clube é empresa, sim. O que o dono (presidente) do clube faz deve se refletir no clube. Tanto para o bom quanto para o ruim.

O que a MSI fez no Corinthians foi um doping moral. Isso deve ser combatido. Para o bem até do Corinthians.

Lançamento do Livro "Futebol é uma Caixinha de Surpresas"

O lançamento em São Paulo do livro "Futebol é uma Caixinha de Surpresas", de minha autoria, com um pequeno coquetel, será

dia 24 de setembro

a partir das 19:30

Livraria Saraiva do Shopping Eldorado

Espero todos por lá!!


domingo, 9 de setembro de 2007

Merdeka Cup

Na minha participação como convidado no Loucos por Futebol do último sábado pela ESPN Brasil, falei da Merdeka Cup. A repercussão foi interessante, já que muitos nunca ouviram falar desse torneio ou acharam (justamente, diga-se) o nome muito curioso.

Claro que o nome nada tem a ver com o palavrão ou com a qualidade dos jogos, que a bem da verdade, não devem ser grande coisa. Merdeka é a palavra malaia para Independência e o torneio é disputado regularmente em comemoração à Data de Independência da Malásia (ocorrida em 31 de agosto de 1957) desde o ano da proclamação, quando Hong Kong venceu a Indonésia, Vietnã do Sul e Malaya.

Aqui cabe uma observação: Vietnã do Sul e Malaya são países que não existem mais. O Vietnã do Sul foi englobado pelo Vietnã e Malaya foi o primeiro nome da Malásia no pós-independência até 1963, quando Sabah e Sarawak se juntaram à Federação da Malásia.

O torneio, apesar de tradicional, nunca foi levado muito a sério no calendário futebolístico mundial, tanto que em alguns anos, times que sequer existiam participaram do campeonato: em 1963, participou um time chamado Commonwealth Forces (uma seleção do exército inglês formado por soldados malaios); de 1967 a 1970, havia uma seleção do Oeste Australiano; em 1977, jogou a seleção de Persebaya (reunindo vários times indonésios); em 1981, foi a vez da Seleção Paulista (que foi vice-campeã, derrotado pelo Iraque); em 1982, a seleção de Santa Catarina, que foi campeã, vencendo Gana na final; em 1983, uma seleção de Buenos Aires (que acabou campeã) e novamente a seleção de Santa Catarina, além de um combinado sul-coreano chamado "88", de um combinado dos Estados Unidos e de uma seleção do interior malaio chamada Malaysian Tigers; em 1984, haviam vários combinados: malaio, argentino, brasileiro e argelino; em 1986, um combinado tchecoslovaco foi vice-campeão; em 1995, com um combinado búlgaro.

Além disso, é comum a presença de times, como em 1985, com o América-RJ, o Swansea (País de Gales); em 1987, o Halmstads e o Vejle (Suécia), além do Dnepr Dnepropetrovsk (então União Soviética), Velez Mostar (então Iugoslávia) e Ujpesti Dózsa (Hungria); em 1988, o Hamburgo (alemão) e o Tirol (Áustria); em 1991, com o Admira Wacker (Áustria) e o Slovan Bratislava (da então Tchecoslováquia); em 1993, com o CSKA Sofia (Bulgária) e Aarau (Suíça); em 1995, com o Vasas Budapeste (Hungria).

Também jogaram muitas seleções B, como em 1972
, com Myanmar (então Birmânia) B; em 1979, com a Coréia do Sul B; em 1985, com a Indonésia e a Malásia sub-23; em 1987, com a seleção olímpica da Tchecoslováquia; em 1988, com o sub-19 da União Soviética; em 1991, com as seleções olímpicas da Malásia, da China e da Dinamarca; em 1993, com a Coréia do Sul B; em 1995, com a sub-20 da Coréia do Sul; em 2000, 2001 e 2006 com a seleção sub-20 da Malásia; em 2007 com os times sub-20 de Indonésia, Malásia, Singapura, Zimbábue e Bangladesh.

O único time brasileiro a jogar a Merdeka Cup (excetuando-se seleções e combinados) foi o América carioca, que dispuitou a edição de 85, perdendo para a Coréia do Sul (0 x 2) e vencendo Malásia (4 x 0) e Tailândia (5 x 0). Na semifinal, o Diabo passou por Gana, 2 x 1, até que na final uma espetacular derrota por 7 x 4 diante da Coréia do Sul deu o vice-campeonato ao time brasileiro.


Luis Baltazar Ramírez



Times alinhados antes do jogo. De azul, El Salvador.
imagem: El Balon Cuscatleco

Estadio Manuel Martinez Valero, Elche, Espanha. Dia 15 de junho de 1982. A Hungria aplica a maior goleada dos Mundiais até então (e até hoje, na verdade), ao vencer El Salvador por 10 a 1. Aos 3 minutos, Nyilasi abriu o placar para os europeus, ampliado aos 10 por Pölöskei, aos 23 por Fazekas. E assim virou o primeiro tempo: 3 x 0 Hungria, resultado até então normal, pois era um jogo que envolvia um time experiente ainda em boa fase (a Hungria) e uma seleção de um pequeno país em sua segunda Copa do Mundo (El Salvador participara também em 1970).

No segundo tempo, os magiares desandaram a fazer gols: Toth, Fazekas, Kiss, Szentes, Kiss, Kiss, Nyilasi completaram a espetacular goleada. E lá, escondido entre o segundo gol de Fazekas e o primeiro de Kiss, um gol de Luis Ramirez, que seria o primeiro e último gol (até hoje) de uma seleção salvadorenha e justamente num jogo com resultado tão desfavorável.

Ramirez, que não começara jogando, era um atacante do Atlético Marte (hoje Marte Quezaltepeque), na época tinha 28 anos. Entrou no lugar de Rugamas aos 27 minutos do primeiro tempo, quando o técnico Mauricio Rodriguez, vendo que o 3 a 0 já colocava seu time em má-situação, resolveu reforçar a dianteira salvadorenha.

O atacante, que mal participara das Eliminatórias (quando El Salvador teve trabalho apenas na fase final) melhorou muito o time, mas foi absolutamente insuficiente diante do ímpeto húngaro: aos 9 minutos da segunda etapa, o placar já mostrava 5 a 0.

Jorge Alberto Gonzalez em ação contra a Hungria
imagem: El Diario De Hoy

Foi quando, numa jogada de Norberto Huezo, Ramirez fez o solitário gol azul. Apesar da goleada, ele virou ídolo em El Salvador. Apelidado "El Pelé", voltou como herói ao país. Mas antes disso, foi titular nos outros dois jogos, em que o time centro-americano não deu vexame: perdeu por 1 x 0 para a Bélgica e por 2 x 0 para a Argentina de Maradona. E pior, a Hungria acabou eliminada.

Hoje, Ramirez é assistente-técnico do Águila, de San Miguel, em El Salvador, time onde ele começo sua carreira.

E ninguém sabe dizer por que aquele jogo foi 10 a 1.



Mundial de Futebol Feminino

Não sou muito fã de futebol feminino. Longe disso, aliás. Mas há quem goste e há quem se interesse muito. Por isso sugiro a excelente análise, grupo a grupo, da Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007, feita pelo grande Mauricio Vargas, do blogue Jornalismo Esporte Clube.

Grupo A

Grupo B

Grupo C

Grupo D

sábado, 8 de setembro de 2007

Uganda


Hoje, após vencer Níger por 3 a 1, Uganda praticamente classificou-se para a Copa Africana de Nações a ser disputada ano que vem em Gana. Depois de 30 anos, os grous voltam ao torneio continental, do qual participaram por cinco ocasiões, sendo a última em 1978, quando foram vice-campeões (perdendo, coinicidentemente, de Gana).

Treinado pelo húngaro László Csaba, o time ugandense parece voltar a tempos de expressão, tristemente acontecidos quando o país era dirigido pela sanguinária ditadura de Idi Amim Dada: foi nove vezes campeão da CECAFA Cup, torneio que reúne seleções do Leste Africano (1973, 1976, 1977, 1989, 1990, 1992, 1996, 2000 e 2003), além da já citada segunda posição na Copa da África de 1978.

Em âmbito nacional, o último campeão foi o URA (
Uganda Revenue Autority), de Campala, a capital ugandense. Mas o grande campeão do país é o Villa, também de Campala, que, aliás, domina a maioria dos títulos dos campeonatos nacionais: apenas o Simba, de Lugazi, o Coffee United, de Kakira e o Police, de Jinja ganharam torneios.



Bélgica de 1982

Sempre simpatizei com a seleção da Bélgica em Copas do Mundo e nunca soube muito bem o porquê. Quando li essa matéria no switchimageproject, site parceiro, lembrei: a linda camisa que eles usaram na Copa de 82, a primeira Copa que eu tenho lembranças.

Acima, o desenho feito por Luar Negara mostra que os detalhes pretos nas faixas amarelas, que muitos pensavam ser pequenas coroas (posto que a Bélgica é uma monarquia, como mostra o antigo escudo da camisa, também em destaque) são, na verdade, pequenos logotipos da Admiral, a fabricante do uniforme, como se vê abaixo. Hoje em dia, a Admiral veste apenas o Leeds United, mas veste toda a seleção inglesa de críquete.

Aquela seleção belga, treinada por Guy Thys, fez o primeiro jogo da Copa, derrotando a Argentina (campeã de 1978) por 1 x 0, com gol de Erwin Vandenbergh. Depois, venceu El Salvador (que havia perdido pelo placar de 10 a 1 da Hungria) também por 1 x 0, gol de Coeck. Três dias depois, um empate em 1 x 1 com a Hungria (gol de Czerniatynski), o que classificou o time para a segunda fase, onde esteve num triangular com Polônia e União Soviética. Com duas derrotas (0 x 3 e 0 x 1), os belgas foram eliminados.

Era a base do time que faria sucesso em 1986, no México, quando chegou à 4ª colocação, sempre treinada por Guy Thys, com o estupendo goleiro Pfaff (que hoje estrela um reality-show chamado De Pfaffs, aos moldes do famoso programa "Os Osbournes"), o lateral Vercauteren (apelidado "O Pequeno Príncipe" e hoje técnico do Anderlecht), o atacante Vandenbergh (um dos maiores goleadores da história do futebol belga e que hoje agencia seu filho, Kevin Vandenbergh, que joga no Genk), o volante Franky Van Der Elst (hoje técnico de futebol) e o atacante Czerniatynski.

Além deles, dois nomes são históricos: o lateral Eric Gerets, um dos jogadores que mais atuaram pela seleção belga, com 86 aparições (hoje, é técnico de futebol recém-saído do Galatasaray) e
Jan Ceulemans, o jogador que mais atuou no selecionado nacional, com 96 jogos e 23 gols. Ceulemans, hoje técnico do Westerlo, viveu o melhor período do futebol belga, quando o time chegou ao vice-campeonato da Eurocopa de 1980 e a boas campanhas nas Copas de 82, 86 e 90. Como jogador de time, iniciou a carreira no Lierse, da sua cidade-natal e fez toda sua fama no Brugge, onde jogou por 14 anos, fazendo 191 gols em 407 jogos.


Madagascar: Futuro Promissor

Quando Jean Rajaonison Toljoniaina fez 1 a 0 contra Lesoto, no Estádio King Zwelithin, na cidade sul-africana de Ethekwini (mais conhecida como Durban), a quarta maior ilha do mundo entrou em êxtase: a alviverde seleção de Madagascar ganhava seu primeiro título continental, campeã da Copa Cosafa sub-20 de 2005.

O torneio, organizado pela Confederação de Associações da África Meridional teve o atacante malgaxe Claudio Ramiadamanana como melhor jogador, além de seu compatriota Pamphile Rabefitia como artilheiro.

Seria a chave de um crescimento nem tão inesperado no futebol de Madagascar, pois o intercâmbio com a França (que colonizou o país africano) e com países esportivamente mais desenvolvidos no continente, especialmente África do Sul, sempre foi grande e garante uma certa qualidade no âmbito local, onde os grandes adversários sempre foram Maurício, Tanzânia, Lesoto, Zâmbia e Reunião.

Vexame no futebol

Em 31 de outubro de 2002, uma goleada inacreditável ocorrida em Madagascar virou notícia mundial. O Adema Analamanga venceu o Olympique de l'Emyrne (SOE) por 149 a 0. Sim, não é erro do autor nem da edição do texto. Cento e quarenta e nove! E o mais incrível, como se houvesse espaço para algo ainda mais inédito: todos os 149 gols foram contra. O técnico do SOE, Ratsimandresy Ratsarazaka, em protesto a uma série de abritragens ruins contra o time, obrigou seus jogadores a marcarem contra a própria meta.

Campeão malgaxe do ano anterior, o time amarelo e preto disputava o quadrangular final do campeonato, junto com o Adema, o Ambohidratrimo e o DSA Atsimondrano, na cidade neutra de Toamasina, maior centro do futebol do país. O título foi decidido uma rodada antes, quando o SOE empatou com o DSA das graças a um pênalti inexistente pró-DSA marcado pelo juiz Benjamin Razafintsalama. Ao fim do jogo, o técnico Ratsarazaka avisou que algo aconteceria na rodada seguinte, contra o Adema, que sagrara-se campeão.

E assim aconteceu. Comandados pelo treinador e pelo zagueiro Razafindrakoto (então capitão da seleção nacional), os Aurinegros marcaram todos os gols contra, o que fez com que quase todos os presentes se aglomerassem em frente às bilheterias do Estádio Municipal de Toamasina em busca do reembolso de seus ingressos. O SOE foi punidoe está fora dos torneios nacionais pelos próximos 10 anos.

Infelizmente, esse foi o grande destaque do futebol ‘barea’, apelido oficial da seleção malgaxe e extra-oficial do povo da ilha. Madagascar tem 5% de todas as espécies vegetais e animais do mundo, mais notadamente o lêmure (espécie de primata, famoso pelo programa infantil Zooboomafoo), o fossa (assemelhado à uma lontra) e o baobá, árvore famosa pelo livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Já o nome ‘barea’ vem de uma variação de gado zebu típica de Madagascar e que ornamenta vários símbolos do país, inclusive o distintivo da federação nacional de futebol.

Internamente, amador e regional

Dentro de casa, o campeonato nacional malgaxe tem 22 grupos regionais (as estradas do país são poucas e caóticas, o que inviabiliza um torneio nacional de longa duração), de onde saem 32 times que disputam a THB Champions League.

Na THB, os 32 times se enfrentam em oito grupos de quatro (cada grupo disputado em uma cidade, em jogos só de ida), classificando-se dois de cada chave. Os 16 restantes enfrentam-se em quatro grupos de quatro, também com quatro sedes fixas, classificando-se dois de cada grupo. Os oito times jogam dois quadrangulares, igualmente em jogos só de ida e em sedes fixas. Os quatro restantes jogam um quadrangular final, normalmente disputado no estádio nacional Mahamasina, em Antananarivo, capital do país.

A copa nacional é disputada pelos mesmos 32 times da THB, mas em jogos eliminatórios, só de ida. E o mais curioso: todos são disputados no mesmo estádio, em dias de festa futebolística, com até quatro partidas por dia, seguidas.

Em âmbito continental, Madagascar é muito fraco, apesar de, como já dito, exportar jogadores para a Europa, especialmente a França. Os jogadores malgaxes que se deram melhor no mundo europeu são Franck Rabarivony (que passou por Auxerre e Vitória de Guimarães e hoje, com 37 anos, joga no Stade Tamponnaise, de Reunião), os meias Johann Paul e Arsène Malabary, o lateral-direito Franck Beria, Hamada Jambay (que jogou no Olympique de Marselha e é um exímio batedor de faltas) e o volante Grondin, que joga na Bélgica, assim como o defensor Jimmy Radafison. Além deles, os irmãos Claudio e Marco Randrianantoanina jogam na França, assim como jogou Hervé Arsène, que atualmente é o técnico barea.

Mas esse intercâmbio impede qualquer bom retrospecto: a seleção enfrentou apenas adversários africanos e não leva vantagem contra ninguém. No entanto, o time não perde há seis jogos, maior invencibilidade desde 1962, quando filiou-se à Fifa. Certamente, as promessas Ramiadamanana, Faneva Ima, Bonaventure Bona e Pamphile Rabefitia (atacantes), Pascal Razakanantenaina e Njaka Razafimahatratra (meias), Jean-Francois Dhebon, Eric Rabesandratana e Franck Beria (defensores) e Hervé Andriamahenika (goleiro), alguns deles destaques no título de 2005, têm grande participação nessa invencibilidade, que mais do que uma estatística, é uma esperança.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Lançamento Livro

O lançamento em SP do meu livro, com um pequeno coquetel, será

dia 24 de setembro

a partir das 19:30


Livraria Saraiva do Shopping Eldorado


Espero que todos que possam e queiram ir estejam lá.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Luciano Pavarotti

A morte de Luciano Pavarotti deixa imensa lacuna não só na música, mas no coração de quem ama a ópera e a música clássica, como é o meu caso.

Se aliarmos a isso um ingrediente memorial afetivo, como é também o meu caso (as últimas palavras de minha querida avó materna foram partes de Nessun Dorma, da ópera Turandot, de Puccini), a morte de Pavarotti representa mais, muito mais.

Recebi a notícia dele como se fosse a de um tio que eu não via há muito tempo, mas que sempre estava perto de mim em pensamento.

Com a morte de Pavarotti, parte das minhas memórias mais profundas vem à tona, da mesma forma que elas vem nesse vídeo.


terça-feira, 4 de setembro de 2007

Um sonho que virou fato



O sonho virou fato. Depois de trabalhar nisso por mais de 1 ano, depois de pesquisar, rodar por aí e "ratear" bibliotecas e sebos, estou lançando meu primeiro livro pela Panda Books: "Futebol é uma Caixinha de Surpresas", mesmo nome do meu quadro na Rádio Bandeirantes, há quase 2 anos no ar.

O livro reúne mais de 400 histórias engraçadas, inusitadas, curiosas e desconhecidas do mundo do futebol. Escudos, técnicos, jogadores, times, geopolítica, juízes,maracutaias, marketing, torcida, futebol do Brasil, do Mundo conhecido e daquele nem tanto.


Até o dia 15 de setembro, o livro estará em todas as livrarias do Brasil e até meados de outubro, em sites como o Submarino. Custará R$ 27,90.


O coquetel de lançamento ocorrerá dia 24 de setembro, na Saraiva do Shopping Eldorado, às 19:30.

Espero que apareçam no lançamento e comprem. E leiam. Se não comprarem, leiam. Acredito que gostarão.

Tempo, tempo, tempo

Aos meus 8 leitores (hehehe..) peço desculpas pelos poucos posts nas últimas semanas.

Excesso de trabalho, dias muito corridos e uma boa novidade que vem por aí tiraram as poucas horas que tenho para postar.

As outras 4 tenho usado para dormir.

Volto logo, o quanto antes.

sábado, 1 de setembro de 2007

Tapa na cara - OFF

Imaginem uma grande mão. Mais ou menos do tamanho da América do Sul.

Essa mão deu um tapa na cara de todo o Brasil com a promoção de um assassino chamado Tales Schoedl.

Triste país cuja justiça age por inconfessáveis interesses políticos.

É na mão deles que estamos.