terça-feira, 23 de outubro de 2007

Padre Júlio Lancelotti e o Campeonato Brasileiro´09

Aparentemente, o título desse post é estapafúrdio.

Mas não é. E o tema é extremamente delicado e conflituoso. Um campo minado.

Um assunto

Tenho informações muito fidedignas que a Rede Record ofereceu uma fortuna incalculável (coisa de alguns bilhões de reais) para obter os direitos de transmissão do Brasileiro´09, batendo de longe a Rede Globo. Inclusive, ofereceu cobrir todas as dívidas que os clubes porventura tenham com a emissora baseada no Rio de Janeiro.

Parece um sonho: jogos em horários decentes, liberdade de escolha e tudo mais. De fato, parece ótimo os clubes ganharem muito e encherem as burras de dinheiro num momento tão aflitivo em que nossos jovens aspirantes a craques partem para Ucrânia, Malta e Azerbaijão do Oeste.

O outro assunto

O Padre Júlio Lancelotti faz um trabalho de muitos anos com crianças portadoras do vírus HIV. É um trabalho reconhecido por órgãos da mais ilibada conduta. Suas crianças vivem em uma casa entre a Mooca e o Belém, zona leste de São Paulo.

Agora, surge um malandro e diz que tirava dinheiro de Lancelotti a custas de ameaças em que supostos casos de pedofilia por parte do religioso seriam registrados e testemunhados. A história é estranha e mal-contada dos dois lados da questão. O bandido que não deve ser levado a sério e Lancelotti que não consegue se explicar direito.

Onde eles se juntam

Tenho ouvido, há dias, reportagens na Rádio CBN sobre o assunto "Padre Lancelotti". Cobertura, como de hábito, sóbria e imparcial. Mais imparcial, impossível. Todos os lados são ouvidos e repercutidos.

Na TV Record, de uns tempos para cá, já vem me incomodando reportagens excessivamente laudatórias ao Bispo Edir Macedo, líder da Igreja que é dona do canal. Me decepciona Paulo Henrique Amorim entrevistá-lo numa evidente tentativa de redimir Macedo de algum dos males que lhe acusam.

Pois hoje, vi uma reportagem no Fala Brasil, jornal matinal da Record, sobre o Padre Lancelotti. Era uma matéria acusatória, citando testemunhas de casos de pedofilia e até com longa entrevista de uma suposta vítima, que disse ter visto Lancelotti agindo como namorado de um menino de 9 anos.

Sensacionalismo de botequim à parte, ficou muito claro para mim que o alvo do ataque não era um padre, mas sim a Igreja Católica, triste mas justamente famosa pelos casos de pedofilia.

Isso me preocupa.

Se a Record conseguir a hegemonia da audiência que ela tanto busca, tenho medo que pulemos de uma frigideira para uma panela fervente.

O que me preocupa, muito mais do que o estilo lobotomizante da Rede Globo, é a teocracização da informação. Sabemos que dogmas religiosos são extremamente inflamáveis e que suscitam conflitos que estão além do que queremos.

Além disso, sem juízo de valores, preocupa-me ver que a informação, que tanto reclamamos ser distorcida (e de fato, é, e muito) pela Rede Globo, comece a ser distorcida pela Record e pior: colocando crenças e fés pessoais na frente de batalha.

Viveríamos uma Jihad Midiática?

Honestamente, isso me preocupa deveras.

Em tempo, antes de qualquer manifestação: não sou católico, nem evangélico. E nada ganho de Globo ou Record.

3 comentários:

raphinha disse...

É um risco, realmente.

Não acompanho os jornais da Record, mas o que acompanho não me parece uma tentiva de influencia religiosa sem fonteiras ao ponto de ser chamada de uma "jihad midiatica".

Não vejo muita possibilidade de se influenciar religiosamente um povo através do futebol. Quem sabe se a Record começar com o futebol e depois atrair mais e mais audiência e público, ai sim seria perigoso.

Acho válido o alerta, mas acho mais ainda a concorrencia e as prospostas da Record contra a Rede Globo.


E quanto ao caso da pedofilia, sem comentarios.

Arthur Virgílio disse...

Globo e Record tem seus prós e contras. Quem continua a ver navio é o receptor, mais especificamente os telespectadores.

Eduardo disse...

É Bindi, o que o Paulo Henrique Amorim fez foi indecoroso, se ele concordava com tudo que o bispo falava, porque não saiu em defesa dele naquele tempo?
Mas mais indecoroso ainda, foi ver o Faccioli louvar o São Paulo por ser campeão e que o título foi mais merecido porque eles jogavam com 1 homem a menos em campo!
Agora o que eu gostaria de saber é se por acaso a Record compre os direitos de transmissões, se ela autorizará os jogadores a mostrarem faixas e camisas de Deus é Fiel e etc..., está certo que são os clubes que desaprovam essas atitudes, mas com uma forcinha da dona dos direitos televisivos, talvez esses gestos sejam mais valorizados.