sábado, 8 de setembro de 2007

Madagascar: Futuro Promissor

Quando Jean Rajaonison Toljoniaina fez 1 a 0 contra Lesoto, no Estádio King Zwelithin, na cidade sul-africana de Ethekwini (mais conhecida como Durban), a quarta maior ilha do mundo entrou em êxtase: a alviverde seleção de Madagascar ganhava seu primeiro título continental, campeã da Copa Cosafa sub-20 de 2005.

O torneio, organizado pela Confederação de Associações da África Meridional teve o atacante malgaxe Claudio Ramiadamanana como melhor jogador, além de seu compatriota Pamphile Rabefitia como artilheiro.

Seria a chave de um crescimento nem tão inesperado no futebol de Madagascar, pois o intercâmbio com a França (que colonizou o país africano) e com países esportivamente mais desenvolvidos no continente, especialmente África do Sul, sempre foi grande e garante uma certa qualidade no âmbito local, onde os grandes adversários sempre foram Maurício, Tanzânia, Lesoto, Zâmbia e Reunião.

Vexame no futebol

Em 31 de outubro de 2002, uma goleada inacreditável ocorrida em Madagascar virou notícia mundial. O Adema Analamanga venceu o Olympique de l'Emyrne (SOE) por 149 a 0. Sim, não é erro do autor nem da edição do texto. Cento e quarenta e nove! E o mais incrível, como se houvesse espaço para algo ainda mais inédito: todos os 149 gols foram contra. O técnico do SOE, Ratsimandresy Ratsarazaka, em protesto a uma série de abritragens ruins contra o time, obrigou seus jogadores a marcarem contra a própria meta.

Campeão malgaxe do ano anterior, o time amarelo e preto disputava o quadrangular final do campeonato, junto com o Adema, o Ambohidratrimo e o DSA Atsimondrano, na cidade neutra de Toamasina, maior centro do futebol do país. O título foi decidido uma rodada antes, quando o SOE empatou com o DSA das graças a um pênalti inexistente pró-DSA marcado pelo juiz Benjamin Razafintsalama. Ao fim do jogo, o técnico Ratsarazaka avisou que algo aconteceria na rodada seguinte, contra o Adema, que sagrara-se campeão.

E assim aconteceu. Comandados pelo treinador e pelo zagueiro Razafindrakoto (então capitão da seleção nacional), os Aurinegros marcaram todos os gols contra, o que fez com que quase todos os presentes se aglomerassem em frente às bilheterias do Estádio Municipal de Toamasina em busca do reembolso de seus ingressos. O SOE foi punidoe está fora dos torneios nacionais pelos próximos 10 anos.

Infelizmente, esse foi o grande destaque do futebol ‘barea’, apelido oficial da seleção malgaxe e extra-oficial do povo da ilha. Madagascar tem 5% de todas as espécies vegetais e animais do mundo, mais notadamente o lêmure (espécie de primata, famoso pelo programa infantil Zooboomafoo), o fossa (assemelhado à uma lontra) e o baobá, árvore famosa pelo livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Já o nome ‘barea’ vem de uma variação de gado zebu típica de Madagascar e que ornamenta vários símbolos do país, inclusive o distintivo da federação nacional de futebol.

Internamente, amador e regional

Dentro de casa, o campeonato nacional malgaxe tem 22 grupos regionais (as estradas do país são poucas e caóticas, o que inviabiliza um torneio nacional de longa duração), de onde saem 32 times que disputam a THB Champions League.

Na THB, os 32 times se enfrentam em oito grupos de quatro (cada grupo disputado em uma cidade, em jogos só de ida), classificando-se dois de cada chave. Os 16 restantes enfrentam-se em quatro grupos de quatro, também com quatro sedes fixas, classificando-se dois de cada grupo. Os oito times jogam dois quadrangulares, igualmente em jogos só de ida e em sedes fixas. Os quatro restantes jogam um quadrangular final, normalmente disputado no estádio nacional Mahamasina, em Antananarivo, capital do país.

A copa nacional é disputada pelos mesmos 32 times da THB, mas em jogos eliminatórios, só de ida. E o mais curioso: todos são disputados no mesmo estádio, em dias de festa futebolística, com até quatro partidas por dia, seguidas.

Em âmbito continental, Madagascar é muito fraco, apesar de, como já dito, exportar jogadores para a Europa, especialmente a França. Os jogadores malgaxes que se deram melhor no mundo europeu são Franck Rabarivony (que passou por Auxerre e Vitória de Guimarães e hoje, com 37 anos, joga no Stade Tamponnaise, de Reunião), os meias Johann Paul e Arsène Malabary, o lateral-direito Franck Beria, Hamada Jambay (que jogou no Olympique de Marselha e é um exímio batedor de faltas) e o volante Grondin, que joga na Bélgica, assim como o defensor Jimmy Radafison. Além deles, os irmãos Claudio e Marco Randrianantoanina jogam na França, assim como jogou Hervé Arsène, que atualmente é o técnico barea.

Mas esse intercâmbio impede qualquer bom retrospecto: a seleção enfrentou apenas adversários africanos e não leva vantagem contra ninguém. No entanto, o time não perde há seis jogos, maior invencibilidade desde 1962, quando filiou-se à Fifa. Certamente, as promessas Ramiadamanana, Faneva Ima, Bonaventure Bona e Pamphile Rabefitia (atacantes), Pascal Razakanantenaina e Njaka Razafimahatratra (meias), Jean-Francois Dhebon, Eric Rabesandratana e Franck Beria (defensores) e Hervé Andriamahenika (goleiro), alguns deles destaques no título de 2005, têm grande participação nessa invencibilidade, que mais do que uma estatística, é uma esperança.

2 comentários:

Solofo disse...

Sou de madagascar e fala portugues. Nosso pais nao é un pais de futebol mais nos jogamos.

Muito obrigaddo pela o comentario.

Anônimo disse...

rabiko amanat rakuna ago veri very hehahehahea pueno bus tayko maka latuno merrico is poj marrcal