quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Zagallo: cai a máscara

Do blog da Trivela, por Ubiratan Leal

Os Zagallos (Mário Jorge e seu filho Mário César) leiloaram o acervo particular da família. Foram 197 peças, com chuteiras e camisas. Algumas autografadas, outras, que foram usadas em jogos históricos (como as de Zagallo nas finais das Copas de 1958 e 1962 e a de Pelé na final de 1970).

Relíquias, que poderiam muito bem estar no Museu do Maracanã ou no futuro Museu do Futebol que a prefeitura de São Paulo constrói no Pacaembu. Poderia até ir ao Museu do Esporte em Maceió, terra natal de Zagallo. Pelo menos as peças mais importantes. As outras poderiam ser leiloadas.

Mas, não. O amor à "amarelinha" não foi tão forte assim. Não se via aquelas peças como artigo de museu, para ser conhecida, admirada e venerada por todos. Era melhor confiná-la a alguma coleção particular na Europa, desde que em troca de alguns milhares de euros, dólares ou libras. Isso porque a família Zagallo não precisa de dinheiro.

Mário César Zagallo ainda teve a hipocrisia de dizer que era o curso natural. "Se os grandes jogadores brasileiros vêm para a Europa, é natural que essas peças acabem parando por aqui."

Entre a amarelinha tradicional e a da imagem abaixo, os Zagallos mostraram qual eles preferem.

* * *

A opinião deste blog

Nunca engoli Zagallo, sem querer relembrar o triste episódio que o marcou naquela Copa América (aliás, ganhar a Copa América tem sido motivo de arrogância de alguns técnicos de seleção brasileira).


Apesar de sua inegável importância para o futebol, Zagallo sempre conseguiu estar no proscênio, mas sem ser a estrela. Sempre se alimentou do brilho que o cercava sem nunca brilhar de fato. Multi-vitorioso, sempre se gabou mais do que foi elogiado.

Cuspia ufanismo. Perdigotos raivosos com cheiro de mentira.

Hoje, mostra que seu amor pelo Brasil era só da boca para fora. Que seu amor tem um preço.

Faço uma ressalva: espero que ele não esteja precisando de dinheiro.

Exceto isso, não há justificativa.


3 comentários:

Dassler Marques disse...

De fato, uma mancha na história do Zagallo, não tão lisa quanto se pinta. Ou quanto pintam alguns que sabemos quem são.

Eduardo Barbosa disse...

Nos três últimos parágrafos você disse tudo, Bindi!

O amor do Zagallo pela Seleção tinha e tem um preço.

A única justificativa desse leilão é ele estar precisando de dinheiro, o que acho pouquíssimo provável.

Grande abraço, Bindi!

Rodrigo disse...

Não sei por que motivo Zagallo não devesse vender sua coleção de camisas. Doar a um museu para, daqui alguns anos, com trocas de governos e interesses partidários, as camisas apodrecerem por má conservação? Ou sumirem roubadas por bandidos em conluio com funcionários, como aconteceu com a Jules Rimet? Além disso, a tarefa de cuidar da "memória" do futebol deveria ser da CBF, e dela sim devemos cobrar a manutenção de museus do futebol e, principalmente, da seleção, já que os futedólares que os milhões e milhões de futedólares que entram na CBF ninguém sabe onde vão parar (o senhor sabe?).
Além disso, o conceito de "ter dinheiro" é muito relativo. Afinal, quase R$ 500 mil reais (que foi o quanto Zagallo e o filho arrecadaram) não é exatamente uma fortuna. Nunca fui fã, sequer admirador, de Zagallo. Mas num país como o Brasil, em que a memória material se desvanece em poucos anos por falta de preservação, não acho nenhum atentado ao patriotismo o que Zagallo e família fizeram. Como disse o próprio velho Lobo: a memória fica.