domingo, 10 de junho de 2007

Napoli, finalmente A

Nascido em 1904 como Naples Foot-Ball & Cricket Club, já com as cores azul e branca (homeageando a Grécia), fundado pelo inglês William Poths e fora da Série A italiana desde a temporada 2001/02 e depois de uma crise terrível, que o fez ser falir e ser rebaixado para a Série C1 em 2004, o Napoli (considerado a quinta maior torcida da Itália) volta à primeira divisão depois de ser vice-campeão da Série B.

Como dito, o Napoli foi fundado por um inglês como um clube de futebol e críquete, mas dois anos depois, já mudou seu nome para Naples Foot-Ball Club. Em 1912, descontentes com a constante ausência dos jogadores ingleses (e conseqüente derrotas), jogadores italianos do Napoli saíram do time e fundaram a Unione Sportiva Internazionale Napoli (abaixo, foto do primeiro time), que chegou a disputar torneios contra o Napoli, vencendo em uma ocasião e perdendo em outra. Após a primeira guerra os dois times voltaram a se unir, desta vez sob o nome Foot-Ball Club Internazionale-Naples (chamado à época de FBC Internaples).


Após disputar 4 temporadas com relativo sucesso, mas sem títulos, o Internaples decidiu mudar novamente de nome. Foi criada a Associazione Calcio Napoli, que fez várias campanhas ruins (em uma delas, fez apenas um ponto em 18 jogos) e ganhou o apelido de I ciucciarelli - os burrinhos, que brincava com o então escudo do time, que mostrava um cavalo. Após subir pela primeira vez para a Série A na temporada 28/29, o Napoli assumiu o burrinho como mascote, motivo pelo qual ainda é chamado de O Ciuccio, pois tem a força e a resistência que são símbolos do povo napolitano.

Foram nos anos 30 a melhor fase do time no pré-segunda guerra mundial, quando esteve sempre na primeira divisão e quando se destacou o imigrante paraguaio Atilio Sallustro, primeiro jogador do Napoli a ser convocado para a Azzurra. Sallsutro, que tirava dinheiro do bolso para ajudar o time, sem contar os gols que fazia, como fez os 18 gols que levaram o Napoli à Copa Mitropa, então maior competição européia da época. Na temporada 32/33, a primeira grande dupla napolitana se formou: Sallustro e Vojak, um croata naturalizado italiano que era um super-goleador. Foram mais de 10 anos de excelentes campanhas, até que em 42/43, o time cai para a Série B. Seriam 2 temporadas de espera, já que o campeonato italiano foi suspenso por causa da Segunda Guerra Mundial.

Após voltar à primeira e cair para a Série B por questões legais, o Napoli teve um novo bom período durante a década de 50, com jogadores como o sueco Jeppson, o italiano Pesaola e o brasileiro Luís Vinicio, com quem Jeppson fez a lendária dupla HV, que impôs várias goleadas a seus adversários, assim como quando Vinicio fez dupla com outro brasileiro, Del Vecchio.

Mesmo na Série B, o Napoli ganhou seu primeiro título nacional: a Copa da Itália de 1962, três anos depois da inauguração do Estádio San Paolo, a casa napolitana, assim nomeado pela lenda que São Paulo é padroeiro da localidade de Fuorigrotta, onde fica o estádio.

A Copa da Itália foi vencida após o Napoli derrotar o Spal, de Ferrara, na final e depois de ter eliminado Mantova, Roma, Torino, Sampdoria e Alesandria. Até hoje, o Napoli é o único time a ter ganho o torneio estando na segunda divisão na época da conquista, tendo em campo um brasileiro, Faustino Canè, vindo do Olaria carioca. Dois anos depois, o nome novamente foi alterado, dessa vez para Società Sportiva Calcio Napoli.

Na temporada 65, o Napoli subiu novamente, prevendo o que viriam a ser os primeiros tempos mais gloriosos da história do time, tendo em sua esquadra dois "oriundi": o brasileiro Altafini (o Mazola, ex-Palmeiras e seleção brasileira) e o argentino Sívori. Desde essa temporada, o Napoli não cairia mais até 1998.

Pelo contrário. Além de excelentes campanhas, onde contou com a ajuda dos brasileiros Angelo Sormani, chamado pelos napolitanos de "Pelé branco" e Sérgio Clerice, ganhou outra Copa Itália (a da temporada 75/76), onde, com os heróis Beppe Savoldi e Juliano, o Napoli venceu na final o Verona, depois de eliminar Fiorentina, Milan, Sampdoria, Cesena, Foggia, Reggiana e Palermo. Mas como se dizia em Nápoles, a palavra "scudetto" era apenas uma quimera, algo inatingível.

Até que no início dos anos 80, dando continuidade à sua tradição de ter jogadores estrangeiros, o Napoli trouxe Ruud Krol, um dos cérebros da histórica seleção holandesa das Copas de 74 e 78. Na temporada de 80/81, após um grande terremoto que destruiu parte de Nápoles (Terremoto dell'Irpinia) e matou mais de duas mil pessoas, o time se superou e acabou o torneio num excepecional terceiro lugar.

Eis que em maio de 84, após as saídas de Krol e do brasileiro Dirceu, os jornais anunciaram que o Napoli traria do Barcelona simplesmente Diego Maradona. A cidade não acreditava que era verdade, mas, quando em julho do mesmo ano Maradona foi apresentado, a cidade entrou em êxtase. E a passagem do argentino pelos "burrinhos" mereceria por si só um texto exclusivo. Na temporada 1986/87, o que muitos consideravam apenas um sonho e mesmo assim, um sonho que esbarrava no impensável, aconteceu: o Napoli era campeão italiano pela primeira vez. E no mesmo ano, o time ganhou a Copa da Itália, com três jogadores azuis na liderança da artilharia: Giordano, com 10 gols, Maradona, com 7 e Carnevale, com 5.




Time campeão italiano 1986/87
em cima: Bruscolotti, Bigliardi, Di Fusco, Garella, Carnevale, Filardi; fila do meio: Ferrara, De Napoli, Carannante, Volpecina, Bagni, Ferrario, Sola, Renica; fila de baixo: Muro, Celestini, Maradona, o técnico Otavio Bianchi, Caffarelli, Giordano, Puzone.

Em 1989, já com os brasileiros Careca e Alemão no time, o Napoli disputou e ganhou a Copa da UEFA, vencendo PAOK Salônica (Grécia), Lokomotive Leipzig (então da Alemanha Oriental), Bordeaux (França), Juventus (Itália), Bayern de Munique (então da Alemanha Ocidental) e Stuttgart (também da então Alemanha Ocidental) na final. Também em 89/90, o Napoli ganhou seu segundo título italiano. O sonho do scudetto, como Maradona e Careca, virava cada vez mais realidade.

Na Copa da Itália, em 9o, Nápoles foi a única sede em que o hino argentino não foi vaiado, em homenagem a Maradona. Mas a decadência de Maradona estava começando e se agravou no início dos anos 90. Envolvido com drogas e suspenso do futebol italiano por uso de cocaína, Diego deixou o Napoli, que mesmo após ter ganho a Supercopa Italiana (ainda com El Pibe), entrou em franco declínio financeiro e esportivo.

Em 1998, após uma temporada catastrófica e graças à uma diretoria incompetente, o time caiu de novo, mais de 30 anos depois do último acesso. O time voltou em 2000, mas caiu em 2001, neste que seria o início de século trágico para os Partenopei: em agosto de 2004, com uma dívida que ultrapassava os 90 milhões de euro, o Napoli é considerado falido e fecha. Uma semana depois, o magnata do cinema
Aurelio De Laurentiis fundou o Napoli Soccer, criado para dar à população a certeza que a cidade não ficaria sem time de futebol.

O time foi inscrito na Série C1, onde ficou até a temporada seguinte, quando ganhou a promoção. Em momentos de grande emoção, o torcida lotava o San Paolo, com médias de público, em plena 3ª divisão, maiores que times grandes da primeira divisão. A ótima campanha na Copa da Itália 05/06 (onde foi eliminado apenas nas oitavas pela Roma) é o definitivo sinal de renascimento dos azzurri.

Ano passado, após retomar o nome Società Sportiva Calcio Napoli, o time entrou com tudo na Série B e acabou por conquistar o acesso à Série A, num momento que já é da história do futebol mundial.

Curiosidades:

- há uma controvérsia sobre a origem do apelido Partenopei: há quem diga que é derivado do nome da primeira ópera cômica do alemão George Händel. Há quem afirme que vem da mitologia grega: Parténope era a mais jovens das sereias que tentou seduzir Ulisses na obra épica "Odisséia". Como não conseguiu, dissolveu-se no mar e formou a baía de Nápoles, que os gregos passaram a chamar de Nea Polis (a "nova cidade").

- após a saída de Maradona, a diretoria do Napoli aposentou a camisa 10.

- além do San Paolo, o Napoli teve três outras casas: o Estádio Alberico Albricci (hoje usado para campeonatos militares e torneios de rúgbi), o Estádio Giorgio Ascarelli/Partenopeo (que foi sede de dois jogos na Copa de 34 e que foi destruído por bombardeios na Segunda Guerra Mundial) e o Estádio Arturo Collana, dentro de um complexo poliesportivo muito importante para o esporte olímpico italiano.


- três patrocinadores são lembrados por quem acompanhava as transmissões do Campeonato Italiano no Brasil na época áurea do Napoli: Cirio (indústria de alimentos em conserva), Buitoni (fábrica de macarrão) e Mars (fábrica de doces e chocolates).

- há um brasileiro no time atual do Napoli: Piá, de 24 anos, que nunca jogou no Brasil, começando a carreira na Atalanta e que comemora seus gols colocando uma máscara de Homem-Aranha.

- brasileiros que já passaram pelo Napoli: Del Vecchio (58-61), Faustino Canè (62-69), Altafini "Mazola" (65-72), Sergio Clerici (73-75), Careca (87-93), Alemão (88-91), Matuzalem (99-2001), Edmundo (2000), Amauri (2001), Robson (2001)

- Títulos do Napoli

Copa da UEFA
1 - 1988/89

Campeonato italiano:
2 - 1986/87 e 1989/90

Copa da Itália
3 - 1961/62, 1975/76 e 1986/87

Supercopa Italiana
1 - 1989/90

Campeonato italiano da Série B
1 - 1949/50

Campeonato italiano da Série C1
1 - 2005/06

7 comentários:

Dassler Marques disse...

parabéns pelo resumão cara!
será ótimo ver o Napoli na Série A, que promete ser a melhor dos últimos tempos.


abraço!

Maurício Vargas disse...

Finalmente vou poder comprar o Careca e o Maradona na master league e jogar com o napoli no Winning eleven!

abraços

André Rocha disse...

Muito bom o texto, Bindi! Parabéns, professor! Realmente é bom ver o Napoli de volta à Série A do Calcio! E Diego fez milagre mesmo, considerando a História do clube.

CEARÁ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CEARÁ disse...

viva napoli...amo muito...hehe série a

lucas disse...

parabéns pelo resumo sem ser tendencioso....mostrando apenas o q todos sabem + poucos admitem...garrincha e pelé foram os grandes gênios do futebol......maradona foi e é o Deus do futebol!!!

Anônimo disse...

o napoli tem codiçao de compra o jogador do bahia rogerinho